A contratação de uma nova pessoa na equipe pode ser “a hora da verdade”. É comum que gestores peçam ao RH que busquem no mercado perfis irrealistas, equivalentes aos de um “Super-Homem”. Ou seja, idealizam candidatos que não existem. Na prática, exigem que apresentem comportamentos que são possíveis de serem encontrados num grupo de pessoas, mas jamais em um indivíduo apenas.

Buscar candidatos que possuam, simultaneamente, comportamentos antagônicos, tais como ser direto, agressivo, assertivo e voltado para resultados, de um lado e, por outro, diplomático, fácil de ser conduzido, estruturado e tranquilo é o mesmo que pedir a uma pessoa que, num mesmo espaço de tempo, siga para o Norte e o Sul. Não, nem as máquinas fazem isso.

Exigir tudo de um único profissional vai contra a própria natureza humana. Todos temos qualidades e defeitos. Mas ninguém dispõe de todas as qualidades – nem gestores, nem os membros de sua equipe.

Aliás, há características muito valorizadas nas empresas que dificilmente convivem juntas numa mesma pessoa. Quem é muito prudente, por exemplo, provavelmente será menos assertivo. Já o generalista poderá encontrar dificuldade ao se ater a pequenos detalhes de um projeto. Isto não é bom nem ruim. São apenas características humanas que podem ser bem ou mal aproveitadas em determinadas funções. Cabe ao gestor conhecer quais são as qualidades mais importantes para cada cargo ou função.

O executivo que exige tudo de todos, ou seja, que se inspira no perfil Super-Homem, em geral idealiza um profissional que não existe em padrões humanos. Essa atitude, por outro lado, tende a revelar como ele se vê a si mesmo, o que, na prática, é um esforço consciente ou inconsciente de superestimar suas próprias capacidades. E, frequentemente, o leva aos exageros de cobrança de sua equipe e, não raro, de sua própria família.

Levadas às últimas consequências, demandas que pouco têm a ver com os verdadeiros limites da natureza humana podem, sim, apontar para um quadro sintomático de profissionais sobrecarregados, que se esforçam para entregar mais do que são capazes. É nesse momento que se acende a luz amarela.

Educar os gestores para reconhecer seus próprios limites – assim como os dos outros – pode ser crucial para uma empresa. É o primeiro passo para se chegar a um maior equilíbrio nas equipes que lideram e no ambiente em que trabalham.

Por Jorge Matos, Presidente da ETALENT

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