O economista Christopher Freeman, um dos papas da teoria da inovação, defende que na raiz de toda inovação estão atividades técnicas, concepção, desenvolvimento e gestão. Esta cesta de fatores costuma determinar o aumento da comercialização de novos produtos ou de versões aprimoradas de antigos, bem como novos processos, ou processos melhorados.

No entanto, basta olharmos para o total de pedidos de patentes que o Brasil fez em 2010, de 442, ante as solicitações feitas pelos Estados Unidos (44.855), Japão (32.156), China (12.337) e Coréia do Sul (9.686), para percebemos que a inovação, infelizmente, não é uma prioridade nacional.

O gargalo da inovação, aliás, revela-se claramente na pesquisa Talento Brasileiro, que compilou entre 2007 e 2012 o perfil de 1,296 milhão de trabalhadores no país. O levantamento indica que, na prática, os profissionais do Brasil dificilmente são afeitos a mudanças, a situações de pressão ou a conflitos. O talento Inventivo, por exemplo,representa apenas 1,33% do universo pesquisado. Estamos falando das raras pessoas questionadoras, que não perdem uma única oportunidade para inovar. Aquelas que são, de um lado, incansáveis na busca de respostas, e de outro, perfeccionistas, lógicas e sistemáticas.

Já outro talento de natureza semelhante, o Inovador, é ainda menos presente na sociedade brasileira, representando um corte de ínfimos 0,88% da população. Ele é encontrado no profissional movido pelo poder, independência e autoridade. Este perfil, que tipicamente norteia-se por novas ideias, comporta-se, contudo, com cautela e procura fundamentar bem suas decisões.

Em contraste, 46,29% dos brasileiros estudados apresentam o perfil de alto fator de Influência. Isto é, gostam de pessoas, sabem se comunicar e persuadir. Têm como meta serem reconhecidos por colegas. Segundo a mesma pesquisa, 29,10% das pessoas do levantamento exibem o perfil Estável, ou seja, buscam a segurança financeira e os ambientes estruturados. São bons ouvintes e bons planejadores, organizados e diplomáticos.

O que vemos, portanto, é que 75,39% dos trabalhadores brasileiros enquadram-se nos perfis de altos fatores de Influência e de Estabilidade, ante os minguados 2, 21% de perfis de alto fator de Inventividade e Inovação.

O que os dados apresentados nos dizem sobre a vocação dos profissionais deste país? Somos essencialmente um povo simpático, acolhedor, catalisador de multiculturas e competências. Em contrapartida, temos dificuldades de receber feedbacks e tendemos à superficialidade e à compulsão pelo velho e discutível “jeitinho” para acomodar os desafios, por mais estratégicos que sejam.

É bom lembrar que uma sociedade ideal é aquela que tem um equilíbrio entre pessoas de alto fator de Dominância, isto é, nas quais a assertividade e a objetividade predominam, e as pessoas de alto fator técnico (perfil Conformidade), além das mencionadas características de Influência e Estabilidade.

Por Jorge Matos, presidente da ETALENT

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