Benjamin Franklin, no famoso livro Almanaque do pobre Ricardo, afirmou: “há três coisas extremamente duras: o aço, o diamante e conhecer a si mesmo”. Olhar para dentro de si é um dos maiores desafios humanos. No entanto, a contemporaneidade traz estudos de comportamento e avanços científicos em favor do autoconhecimento.

Hoje, diminuir a lacuna entre a vida que levamos versus a vida que desejamos ter começa com o autoconhecimento. Quanto melhor nos conhecemos, melhor conseguimos gerenciar distrações, procrastinação, autossabotagem e até mesmo diminuir as chances de sofrer burnout.

A vida acelerada reforça o sentimento individualizado de estar “ficando para trás” quando, ironicamente, a busca por propósito e pertencimento são características que envolvem a todos nós. Este artigo discute as ramificações positivas que o autoconhecimento produz na busca por propósito e mostra como melhora a produtividade e a nossa qualidade de vida.

 

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O que é autoconhecimento?

Autoconhecimento é o resultado de uma série de processos de desenvolvimento e amadurecimento emocional, afetivo, cognitivo, relacional e corporal, desde níveis mais rasos até níveis mais profundos. É fundamental na tomada de decisões e ajuda a entender melhor nosso comportamento e sentimentos.

Conhecer-se muito bem traz empoderamento e controle maior do desenvolvimento pessoal, aumenta os níveis de confiança, autoestima e determinação. Quanto mais uma pessoa se conhece, mais ela consegue regular suas reações com facilidade frente a desafios, e acaba agindo menos por impulsividade, usando abordagens mais inteligentes.

Da mesma maneira que um atleta aprende a reconhecer seus limites e o valor do condicionamento, o autoconhecimento abre um leque no qual o ser humano amadurece gradativamente sua capacidade de fazer escolhas de muito impacto.

Além disso, o autoconhecimento é uma grande ferramenta relacional que ajuda a sustentar e organizar comportamentos e atitudes em relação aos outros.

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Autoconhecimento e diminuição do burnout

O burnout é um fenômeno causado por intenso estresse físico, emocional e mental relacionados ao trabalho. Com maior autoconhecimento, conseguimos melhor controlar emoções e anseios e evitar o esgotamento. Aqui estão algumas destas maneiras:

  • A forma como percebemos nossos pontos fortes e fracos determina a maneira como avaliamos nossa relação com o trabalho.
  • Quanto mais nos conhecemos, mais cedo percebemos os sinais de que algo está errado e prevenimos o total esgotamento.
  • Uma leitura eficaz de nós mesmos faz com que possamos entender melhor quais demandas podemos abraçar e quais devemos delegar para não sofrermos sintomas de burnout.

 

Superando a procrastinação e a autossabotagem

Muitas vezes, o tema autoconhecimento é encarado como uma escolha de vida ou uma decisão que envolva um conjunto de práticas que pessoas bem-sucedidas adotam. A verdade é que há um risco grande em não nos conhecermos bem: a autossabotagem.

A autossabotagem é um comportamento destrutivo que, uma vez solidificado, torna-se difícil de remover, pois, se manifesta de forma impulsiva e automática. O poder da autossabotagem está no fato dela ser autoimposta e, por muitas vezes, inconsciente.

A autossabotagem incentiva comportamentos que momentaneamente parecem fazer bem e são completamente justificáveis pela pessoa que os põe em prática. Em sua raiz, porém, a autossabotagem acaba por estabelecer mecanismos destrutivos que procuram punição.

A autossabotagem também está ligada à procrastinação. Enquanto esta não tem o aspecto autodestrutivo da autossabotagem, ela engana com a mesma facilidade.

A procrastinação é uma resposta adaptativa focada nas nossas emoções. Utilizamos a noção de que “estamos ocupados” para escaparmos do que realmente queremos alcançar e o justificamos com uma vida cheia e agitada.

Quando estudada a fundo, a procrastinação normalmente não está vinculada à preguiça, mas, sim, ao medo. Em contrapartida, a autossabotagem frequentemente origina-se em uma tentativa de autopunição por um sentimento de culpa.

A verdade é que ninguém se sente satisfeito ao perder as melhores oportunidades de sua vida devido a atitudes de procrastinação ou autossabotagem.

A procrastinação pode ser útil quando somos honestos e conscientes de que não estamos pausando para atrasar algo que nos assusta, mas para obter resultados melhores do que poderíamos ter obtido tentando concluir uma atividade o mais rápido possível.

Para vencermos a autossabotagem e a procrastinação, devemos nos perguntar o que realmente precisamos em longo prazo e abrir espaço para mudanças em nossas próprias vidas.

 

Encontre o seu propósito

A noção comum de propósito é desafiada por Daniel Orlean em seu texto Evolução, carreira e propósito, em que o empresário evoca o exercício de uma disposição além do status quo. Para Daniel, nossos conhecimentos e habilidades são importantes, mas não passam de parte da história que nos traz até aqui: nossas conquistas não são nosso propósito.

Segundo Daniel, propósito está em desenvolver pessoas, mudar conceitos, abraçar novas experiências, olhar para o futuro: uma jornada diária sem sair do lugar. A maneira como as pessoas irão escrever sua história começa hoje e dependerá diretamente do quanto elas estão dispostas a investir no autoconhecimento.

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A tragédia da era digital se manifesta na pressão em encaixar-se e pertencer a um molde que foca na cópia e reprodução. O desafio está em traçar alvos que arremessem a vida em direções mais vibrantes. O caminho de descoberta de propósito é repleto de esforços e sacrifícios, mas a satisfação em alcançá-lo faz valer todo o esforço.

Para superar o medo de dar passos fora de bolhas de conforto, é preciso rodear-se de novas ideias, hábitos, experiências e atividades. É importante desmembrar a maior quantidade possível de etapas menores nestes processos e começar a fazer progresso a partir delas.

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Autoconhecimento e produtividade

Pessoas produtivas são motivadas, têm uma visão de longo alcance e querem progredir no que fazem. Em geral, pessoas produtivas não fazem nada pela metade e não adiam para o dia seguinte.

Ser mais produtivo significa trabalhar de maneira mais inteligente, não por mais tempo, e dar o seu melhor todos os dias. Embora não seja fácil, realizar uma tarefa em menos tempo é viável se você conhecer bem seus comportamentos e hábitos.

Charles Duhigg, em seu best-seller O poder do hábito, discorre sobre como grandes transformações começam com pequenas atitudes. O escritor exemplifica sua tese com muitos experimentos que mostram que, ao decidir mudar apenas um hábito e ser leal em seu compromisso, pessoas acabam transformando suas vidas inteiras.

De forma semelhante, Brené Brown, em seu livro A coragem de ser imperfeito, surpreende ao provar o quanto nós mesmos nos levamos para longe de nossos sonhos. Brown mostra como a contrariedade entre o que pensarmos sobre o lugar aonde queremos chegar e a maneira com a qual fazemos as coisas.

Segundo Brown, quando entendemos quem somos, conseguimos reavaliar se nossas “maneiras” são, de fato, eficientes. Só com o autoconhecimento poderemos realinhar objetivos e atitudes, de modo a transformar o que falamos no que fazemos.

A autora do livro Shakti, Rajshree Patel, aborda o autoconhecimento no mundo corporativo e afirma que dominar a essência de quem somos é o segredo para chegarmos ao desempenho máximo através da força vital que cada um já possui dentro de si.

Ao explorar a Arte de Viver, Patel já auxiliou na transformação de chefes de Estado, cineastas, executivos e pessoas de todos os lugares do mundo, ensinando técnicas que mostram como podemos usar nossa mente para acessar o potencial ilimitado da vida.

Enquanto os três autores abordam a questão da produtividade por vieses diferentes, todos concordam ser necessário redirecionar o foco para dentro de nós mesmos e nunca acreditar que nosso sucesso depende de ações exteriores.

Atingindo o estado de flow (mindfulness)

Também conhecido como mindfulness, o estado de flow é um estado mental definido pelo professor e pesquisador de psicologia da universidade de Chicago, Mihaly Csikszentmihalyi, nos anos de 1970. Este estado marca o momento em que uma atividade atinge um pico produtivo de forma natural e fluída, em que performamos quase sem interferir no processo, tamanho o engajamento que temos com ele.

O estado de flow é extremamente satisfatório e gera aumento do contentamento. Ele pode ser atingido em inúmeras atividades, como tocar um instrumento musical, jogar uma partida de tênis, fazer uma pintura, ou atuando no próprio trabalho: é o momento em que uma pessoa é extremamente produtiva.

Em seu estudo, Csikszentmihalyi aponta uma série de condições favoráveis para que o estado de flow seja atingido. Dentre eles, temos gatilhos psicológicos, como foco, ambiente, squad e, principalmente, a compreensão de habilidades em relação aos desafios.

Neste ponto, entendemos como o autoconhecimento promove o estado de flow: com o exercício do autoconhecimento, entendemos o estado mental que apresentamos frente a nossas habilidades.

O maior domínio sobre nossas habilidades possibilita que busquemos desafios maiores. O encontro deste estado mental de significado, entusiasmo e controle com a imersão em um novo desafio produzirá o estado de flow.

O autoconhecimento é o suporte e a porta que abre o caminho para a autorrealização. É por este processo que nos conhecemos e que percebemos nossa gama inerente de virtudes.

Fazer perguntas importantes e de longo alcance pode nos ajudar a trilhar o caminho para desenvolver e praticar o autoconhecimento.

Todos os medos e padrões que nos impedem de nos lançarmos, ousarmos e vivermos o que nos faz vibrar podem ser superados se dedicarmos tempo a conhecer sua origem e, então, traçar estratégias para superá-los, de modo a nos tornarmos livres para trabalhar com a maior precisão possível e viver com respeito por nós mesmos.

 

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