A Inteligência Artificial deixou de ser uma simples ferramenta nas rotinas das empresas e passou a ocupar o papel estratégico de ajudar o potencializar o rendimento de equipes inteiras. Ao contrário do que muitos pensam, em vez de substituir pessoas, a IA moderna é capaz de revelar padrões, apoiar decisões e potencializar capacidades, especialmente quando utilizada em tópicos que envolvem comportamento, motivação e desenvolvimento.
Essa mudança, inclusive, acompanha a evolução do próprio RH, que há décadas deixou de ser um simples departamento de controle de jornada e começou a operar como um braço estratégico nas rotinas das empresas. O que começou como um departamento operacional tornou-se um RH orientado por dados, automação e recursos como o People Analytics. Não à toa, essa pesquisa conduzida pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.Br), aponta que 22% das pequenas empresas e 37% das grandes já utilizam IA em alguma etapa da gestão de pessoas.
Junto ao avanço tecnológico, no entanto, é preciso manter o potencial de decisão humana, sempre estando atento para usar essas ferramentas como um suporte para melhores performances, e não como substitutos. Foi com essa mentalidade que surgiu o EBM — Employee Behavior Management —, uma metodologia que coloca o comportamento humano no centro das decisões. Ele propõe uma nova lógica: a IA deve servir para compreender pessoas, e não para padronizá-las. Só assim, é possível se tornar uma empresa Human First. Mas, afinal, como fazer tudo isso? A resposta você vai encontrar neste artigo, mas já adiantamos: é muito mais simples do que parece. Boa leitura!
- As IAs nas empresas: quando o comportamento vira dado e decisão
- A IA como copiloto da gestão
- O impacto de unir tecnologia e comportamento na rotina das equipes
- Human First é o futuro das empresas
- Conclusão: a importância da tecnologia humanizada
As IAs nas empresas: quando o comportamento vira dado e decisão
Quando o assunto é inteligência artificial, a discussão é bem extensa e surge muito antes dos ferramentais mais conhecidas do recurso, como o ChatGPT e o Midjourney. Historicamente falando, o primeiro vislumbre desse conceito apareceu em 1950, durante o Teste de Turning. Nele, o matemático Alan Turing começou a tentar entender se uma máquina poderia imitar o pensamento humano. E essa foi a porta de entrada para os processos que conhecemos hoje, em que a IA tem avançado continuamente em direção a sistemas cada vez mais autônomos, rápidos e precisos.
Depois de Turning, pesquisadores como John McCarthy tentaram “ensinar” computadores a aprender por conta própria, abrindo espaço para o que hoje conhecemos como machine learning. Nas décadas seguintes, marcos como o Deep Blue vencendo Garry Kasparov (1997) e o Watson superando campeões de perguntas e respostas (2011) mostraram ao mundo que máquinas podiam competir (e em alguns casos, até vencer) pessoas em tarefas até então consideradas exclusivamente humanas.
Já pulando para tempos mais recentes, com o avanço dos algoritmos e do Big Data, a IA deixou de ser algo experimental e passou a moldar silenciosamente nosso cotidiano: redes sociais que personalizam conteúdos, assistentes virtuais que respondem por voz, apps que recomendam produtos, plataformas que automatizam pagamentos e casas inteligentes que operam sozinhas. Tudo isso guiado pela lógica de coletar dados, aprender com eles e agir. E nas empresas, esse mesmo princípio pode ser seguido.
No contexto organizacional, IA passou a ser utilizada para automatizar tarefas repetitivas, apoiar diagnósticos médicos, prever fraudes, monitorar segurança, gerir máquinas industriais, prever riscos e até criar conteúdo. Hoje, ela já é parte da estrutura do funcionamento organizacional, apoiando decisões financeiras, operacionais e estratégicas. Entretanto, conforme as IAs foram se tornando mais sofisticadas, novos usos surgiram para elas – incluindo a possibilidade de serem usadas para potencializar o desempenho dos profissionais das equipes.
Hoje, essa tecnologia avançou de tal forma que a inteligência artificial consegue analisar padrões de comunicação, frequência de interações, nível de proatividade, velocidade de resposta, preferências de trabalho, estilo decisório e até indicadores indiretos de estresse. Quando bem utilizadas, essas ferramentas observam tendências, identificam repetições e reconhecem mudanças sutis no modo como cada pessoa age no dia a dia, o que traz uma série de benefícios em termos de bem-estar, qualidade de vida e produtividade.
Usando a IA no ambiente de trabalho pensando em desempenho das equipes, é possível usar os dados para entender questões que, até então, pareciam nebulosas. O que motiva um profissional, quais tarefas o desgastam mais, quando há risco de sobrecarga, como ele se comunica e toma decisões e quais ambientes favorecem seu melhor desempenho são alguns exemplos de dados que podem ser monitorados a partir dessa tecnologia e analisados por um profissional específico qualificado para interpretá-los. Por isso, esse tipo de recurso se tornou algo que mudou a forma com que as empresas apoiam seus colaboradores, possibilitando uma abordagem individualizada.
Cada pessoa tem um ritmo, um estilo e um potencial diferentes, e isso impacta diretamente a performance. Quando essas informações são analisadas corretamente, a organização ganha diversas ferramentas para oferecer um ambiente de trabalho mais saudável. A capacidade de prevenir burnout e estresse antes que eles explodam, ajustar funções, cargas e rotinas para reduzir desgaste desnecessário, construir equipes com perfis complementares, oferecer planos de desenvolvimento coerentes com a natureza de cada profissional, criar ambientes mais saudáveis são alguns exemplos disso.
Em outras palavras, a IA possibilita algo que antes ficava restrito ao imaginário: usar dados para entender gente. E quando o comportamento se torna um dado analisável, a gestão deixa de ser baseada em suposições e passa a ser orientada por sinais reais sobre o que faz cada pessoa prosperar. É disso, inclusive, que se trata o Employee Behavior Management (EBM), que veremos com mais detalhes nos próximos tópicos.
A IA como copiloto da gestão
É bem verdade que, dado o desenvolvimento das tecnologias de IA mais recentes, algumas discussões a respeito da disputa entre pessoas e máquinas no mercado de trabalho começaram a se intensificar. Alguns relatórios, como o Future of Jobs, realizado anualmente pelo World Economic Forum, chegam a apontar para o desaparecimento de algumas funções – e a tecnologia aparece como motivo em diversos casos. Entretanto, ainda que a IA esteja cada vez mais avançada, consideramos que ainda se discute pouco sobre como ela pode ajudar a potencializar a performance humana.
Para a ETALENT, a tecnologia está longe de se tornar uma vilã. Na verdade, em nossa leitura, o que ocorre é quase o oposto: ela está se tornando o ponto de apoio para que o humano finalmente ocupe seu melhor lugar. Para nós, esse momento não é um confronto entre “máquinas x pessoas”, e sim o equilíbrio que define o futuro do trabalho. IA serve para libertar, não para substituir. Ela tira do caminho o que é repetitivo, operacional e desgastante, permitindo que líderes e equipes se concentrem naquilo que nenhuma máquina faz: orientar, inspirar, decidir, desenvolver.
A tecnologia serve, inclusive, para reiterar a importância daquele que consideramos o ativo mais valioso de uma organização: o comportamento. As IAs modernas conseguem enxergar padrões que passam despercebidos no cotidiano, sinais de desgaste emocional, incompatibilidades de perfil, tensões entre membros de um time, riscos de desmotivação ou burnout — elementos que, quando invisíveis, comprometem resultados e relações. A diferença é que agora esses sinais podem ser tratados cedo, com precisão e sensibilidade. Em suma, a inteligência artificial pode ser usada como uma espécie de copiloto para a gestão de alto desempenho, ajudando a transformar questões subjetivas em dados.
A inteligência artificial, inclusive, é um dos pilares do Employee Behavior Management (EBM), uma abordagem de gestão orientada para a performance sustentável que coloca o perfil comportamental de cada indivíduo como ponto de partida das decisões organizacionais. Em vez de alocar pessoas apenas por função ou necessidade operacional, o EBM parte da premissa de que resultados consistentes surgem quando cada profissional atua no ambiente mais compatível com suas características naturais e motivadores internos.
Com o ETALENT Behavior System (EBS), nosso software baseado do EBM, os gestores conseguem acompanhar a jornada do colaborador, identificar seus padrões de comportamento, seus impulsionadores e os contextos que favorecem (ou dificultam) seu melhor desempenho. E todo esse acompanhamento é feito com tecnologia de ponta, usada para oferecer recomendações em tempo real sobre comunicação e tomada de decisão, personalizar interações e apoiando os líderes na hora de fazer uma gestão de pessoas individualizada, capaz de aproveitar o melhor que cada profissional tem a oferecer.
O impacto de unir tecnologia e comportamento na rotina das equipes
Quando falamos sobre o papel do comportamento dentro das empresas, estamos falando, na prática, de ecologia humana. Esse é um termo que usamos na ETALENT para nos referirmos à relação entre quem somos, como funcionamos e o impacto que isso gera no ambiente ao redor. Não se trata apenas de desempenho no trabalho, mas de energia, saúde mental, vínculos sociais e capacidade de colaborar. Cada pessoa tem um estilo comportamental e é justamente a capacidade de ela trabalhar de forma alinhada com essas características que faz com que ela atinja a alta performance no trabalho.
Visualizar isso, na prática, é relativamente simples. Basta pensar no esforço que uma pessoa tímida e introspectiva teria que fazer para exercer uma função onde precise estar em contato com estranhos o tempo inteiro. Um vendedor, por exemplo, precisa ser persuasivo e ter “jogo de cintura”, o que pode ser um verdadeiro pesadelo para quem tem dificuldades sociais. Da mesma forma, alguém extremamente extrovertido pode sofrer caso tenha que exercer suas tarefas longe do contato de outras pessoas. Em ambos os casos, a falta de alinhamento entre as características comportamentais e a natureza da função pode acabar desmotivando, comprometendo o desempenho ou comprometendo a saúde mental.
É por isso que empresas que ignoram o comportamento acabam criando contextos tóxicos sem perceber. Um profissional que passa o dia inteiro atuando contra suas tendências naturais, seja alguém analítico obrigado a improvisar o tempo todo, ou alguém altamente sociável colocado em isolamento, não só produz menos, como também perde energia, acumula estresse e aumenta o risco de desenvolver doenças. Essa exaustão individual reverbera no coletivo, gerando conflitos, retrabalho e queda de produtividade.
Por outro lado, quando as organizações respeitam a singularidade de cada perfil, surge o que chamamos de “trilha verde”: o caminho no qual as pessoas trabalham com naturalidade, potência e satisfação. É nesse cenário que as equipes atingem sua melhor performance, não porque são pressionadas, mas porque estão colocadas em funções que fazem sentido para elas. O “custo humano” desaparece, e o resultado aparece na forma de engajamento, criatividade e estabilidade emocional.
Mas, isoladamente, entender comportamento não basta — é preciso conseguir operar esse conhecimento em escala, especialmente em organizações que lidam com centenas ou milhares de pessoas. Nenhum gestor, por mais atento e empático que seja, consegue acompanhar individualmente todos os fatores que citamos. E é exatamente nesse ponto que a tecnologia deixa de ser apenas uma ferramenta de eficiência e passa a ser uma ferramenta de inteligência humana.
Quando as ferramentas conseguem transformar as tendências comportamentais, que antes ficavam restritas a percepções subjetivas, em dados objetivos capazes de orientar decisões com precisão científica, as empresas unem o que há de mais humano com a tecnologia. Assim, é possível mapear o que energiza cada pessoa, o que drena sua motivação, qual ambiente favorece sua performance e quais funções têm maior probabilidade de gerar alinhamento ou sofrimento.
Por isso, entendemos que a IA não substitui o olhar humano – pelo contrário: ela o amplia. Com base em grandes volumes de dados comportamentais, algoritmos conseguem antecipar riscos, sugerir alternativas e apontar caminhos para que cada pessoa possa seguir sua trilha verde com mais consistência e menos desgaste. E quando falamos especificamente das lideranças, a tecnologia consegue devolver o que é insubstituível: tempo e clareza para orientar, inspirar e cuidar, enquanto a tecnologia assume o papel de copiloto nas decisões cotidianas.
Human First é o futuro das empresas
Quando uma empresa consegue alinhar estratégia, cultura e comportamento, ela se torna o que chamamos de Human First. Essas são organizações que colocam o humano no centro das decisões e usam a tecnologia como uma ferramenta para oferecer condições onde eles atinjam as melhores performances. Nesse contexto, a IA não existe para substituir, e sim para ampliar a performance, dar profundidade às relações e tornar as singularidades operáveis. Ao contrário do que muita gente pensa, a tecnologia, nesse modelo, não é o fim da atuação humana, e sim é o meio para s escalar desenvolvimento.
Enquanto muitas organizações tratam produtividade como commodity, ignorando vocações e individualidade, a ETALENT sustenta a bandeira de liberar potencial humano. Quando uma pessoa trabalha em estado de flow, ou seja, exercendo funções alinhadas ao seu perfil, o desgaste desaparece e dá lugar à realização. A performance deixa de ser um esforço e se torna consequência natural de um contexto saudável. E acreditamos que as empresas mais competitivas do futuro devem seguir pelo mesmo caminho.
Inteligência artificial e pessoas não são polos opostos. Muito pelo contrário: é dessa combinação que vai nascer o mercado de trabalho do futuro. Afinal, ao mesmo passo em que a tecnologia avança, cresce também a responsabilidade de proteger aquilo que nos torna únicos: empatia, criatividade, propósito e conexão. Liberar as pessoas do operacional para abrir espaço para o que é intrinsecamente humano, como liderar, inspirar e desenvolver. É desse equilíbrio que precisamos para dar conta de todos esses aspectos.
Conclusão: a importância da tecnologia humanizada
Toda transformação organizacional realmente importante começa na forma com que as empresas lidam com o comportamento humano. Afinal, ele é o primeiro passo para entender o que dá energia, o que drena potencial, onde surgem conexões e onde nascem os caminhos de crescimento. A tecnologia entra como amplificadora desse conhecimento, permitindo enxergar padrões invisíveis, prever riscos, personalizar desenvolvimento e escalar o que antes dependia apenas da sensibilidade individual.
Quando há uma perspectiva Human First, o comportamento e a inteligência artificial se tornam parte de um todo onde é possível adotar práticas mais humanas, decisões mais precisas e ambientes mais saudáveis. Afinal, mesmo com toda a automação possível, o que define a performance sustentável continua sendo aquilo que é inerentemente humano.
Organizações que entendem pessoas não só constroem resultados mais consistentes: elas constroem futuro reduzindo o desgaste, ampliando engajamento, fortalecendo cultura e elevando o patamar de suas lideranças. São empresas que não apenas performam melhor, mas fazem isso sem perder de vista o bem-estar, a realização e o potencial das pessoas.
Por isso, acreditamos que o Human First não é tendência, e sim é o novo padrão da liderança na era da IA. empresas que abraçarem essa visão agora estarão um passo à frente, guiando a transformação que definirá o trabalho nas próximas décadas



