O coreano Kim Woojin respirou, mirou, esperou e largou a corda do arco. Cravou 700 pontos e ganhou o ouro na competição individual masculina de tiro com arco. Sem a estabilidade de seus braços e a persistência de sua vontade, jamais o teria feito. Choi Misun, a coreana, cravou 669 pontos na mesma modalidade feminina.

Usain Bolt, o jamaicano, fez suas gracinhas, num show de competência e carisma, estava determinado a ser tri do tri. Foi. E depois torceu pela seleção brasileira. Dominou a cena. Modestamente, queria estar ao lado de Ali e Pelé. Está.

Os meninos do futebol e do vôlei choraram – e haverá quem os condene por isso – a emoção da superação, talvez mais do que da vitória. Ousaram até expressar sua fé, imperdoável atitude para os intelectualóides que só falam e não fazem. E quer mais dominância que Bernardinho e Bruno? Que influência de Serginho? E estabilidade de Wallace e Lucarelli? E conformidade de Lipe? As meninas dessas modalidades, que não ganharam, também brilharam.

Muita gente não acreditava, mas o show de abertura e o de encerramento mostraram a sociabilidade do caráter nacional, combinado com o planejamento e organização com perfeição de conteúdo, cores e cultura. Claro que tinha que acabar em samba.

Milhares de voluntários viabilizaram tudo. Desconhecidos, zoados, representados na festa por humildes campeões do dia a dia. Como nós mesmos.

Paes e equipe (e equipe), prometeram e entregaram. Boquirrotos à parte, fizeram a sua parte.

O Rio, e o Brasil, deram um show de competência e talento, combinando dominância com determinação para os resultados, automotivação para superar a descrença e o desafio hercúleo, independência para ser visionário e sonhar.

E também influência para acolher com uma sociabilidade invejável, um entusiasmo inigualável, uma autoconfiança imprescindível.

E ainda: estabilidade com paciência para suportar os críticos derrotistas, consideração para com as culturas diferentes, persistência para manter as coisas funcionando ininterruptamente.

E mais: conformidade para estar conectado com tudo e todos, exatidão para tudo sair perfeito, desde a tecnologia para apuração dos resultados à sincronização das festas de abertura e encerramento, perceptividade para os detalhes, dos banners de rua à mensagem de medalhistas no metrô, anunciando a próxima estação.

A Rio 2016 mostrou definitivamente que não é possível sucesso sem a combinação de talentos que se complementam e se alavancam.

No show de encerramento, Lenine, adaptando a letra de sua canção Jack Soul Brasileiro, perguntou:

“Quem foi? Que fez o povo chegar? Que fez jogo rolar? Que traduziu o Rio de Janeiro? Que se deu de coração”?

Foram os talentos combinados, com trabalho duro. Com sangue, suor e lágrimas.

A cidade e o país estão melhores depois da Rio 2016. Dirão que não. Que os problemas continuam, que precisamos melhorar muito. É verdade. Que o cenário político bla-bla-bla…

Mas talvez o esporte tenha nos inspirado um pouquinho, só um pouquinho, para pensar em superação, que antecede qualquer conquista. Não no palco do Maracanã, mas em nossas vidas pessoais e profissionais. Pelo tempo que durar, como cantou Mariane de Castro, com as palavras de Marisa Monte e Adriana Calcanhoto. É verdade, nada vai permanecer no estado em que está.

Aproveite seu talento, pelo tempo que durar.

Rio 2016
Fotos: veja.abril.com | g1.oglobo.com

Este texto é dedicado a Rafaela Silva e a Hélio Andrade.

 

Sidney Frattini

Por Sidney Frattini

Consultor Master da ETALENT, desde o ano 2000. Credenciado na metodologia de análise de perfil comportamental DISC, tem ministrado inúmeros seminários sobre Autoconhecimento, Competências Pessoais, Competências de Times, Gestão de Mudança e Formação de Consultores DISC e participado de vários projetos de consultoria e atuado como Coaching executivo e pessoal. Tem certificação em Coaching Executivo e Pessoal e Profissional pela Sociedade Brasileira de Coaching. É professor dos cursos de pós-graduação/MBA da FGV Management, desde o ano 2000, ministrando diversas disciplinas em Gestão de Pessoas e Marketing. É Mestre em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas, EAESP (stricto sensu).

Possui Especialização em Recursos Humanos pela PUC-Rio. Especialização em Administração Mercadológica pela FGV-EAESP; foi executivo em diversas empresas de porte, possuindo mais de 35 anos de experiência corporativa, inclusive como diretor de recursos humanos. Graduado em Comunicação Social e Marketing pela ESPM-SP.

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