A gestão do comportamento ganhou destaque no contexto empresarial nos últimos anos. Hoje em dia, sabe-se que o alinhamento entre perfis comportamentais e funções traz uma série de benefícios tanto para profissionais quanto as empresas em si. Não à toa, pesquisas como a da Universidade de Oxford, explicam que funcionários felizes são até 13% mais produtivos, impactando diretamente a performance no trabalho. Nas organizações, essa visão já se tornou prática com metodologias como o EBM (Employee Behavior Management), que traduz o comportamento humano em dados para melhorar a motivação, saúde mental e desempenho. A questão é: por que parar nas empresas?
O motivo disso é bem simples: quando os profissionais estão satisfeitos, eles conseguem desempenhar suas funções com propósito, mais saúde mental e menos desgaste ao trabalhar. Mas se engana quem pensa que essa lógica precisa ficar restrita ao mundo corporativo. O investimento no comportamento para melhorar a qualidade de vida é, na verdade, algo universal e que pode ser aplicado nos mais distintos cenários. Afinal, seja qual for a situação, sempre que alguém é colocado em um papel que contraria suas características naturais, o resultado é desgaste e, em casos mais graves, adoecimento. Em contrapartida, quando crianças, jovens e adultos podem atuar e aprender de acordo com seu talento natural, elas encontram um contexto favorável onde surge mais motivação, estabilidade emocional, produtividade e realização.
Na prática, isso significa que o comportamento não transforma apenas empresas, e sim sociedades inteiras, quando é compreendido e valorizado. Escolas que conhecem o perfil de seus alunos ensinam melhor, reduzem evasão e orientam escolhas vocacionais de forma mais assertiva. Famílias que compreendem seus próprios perfis e os de seus filhos constroem relações mais saudáveis, com menos conflitos e mais apoio emocional. Governos que consideram o comportamento na criação de políticas públicas conseguem formar talentos mais alinhados ao futuro econômico do país e reduzir desigualdades estruturais. E tudo isso seguindo apenas um princípio: o conhecimento da natureza humana. Mas, afinal, na prática, o comportamento é capaz de mudar uma sociedade inteira? É o que você descobre no artigo de hoje. Boa leitura!
- O comportamento na sociedade: uma transformação que começa pelas pessoas
- Famílias: onde tudo começa
- Escolas: o ponto crítico do desenvolvimento humano
- Empresas: onde os efeitos da negligência comportamental explodem
- Governo: comportamento na infraestrutura social
- Conclusão: o comportamento como base para o futuro do Brasil
O comportamento na sociedade: uma transformação que começa pelas pessoas
Há décadas, o mercado de trabalho segue uma lógica que teve início ainda no século XIX, no momento pós-revolução industrial. Naquela época, as pessoas eram engrenagens e um sistema voltado para a produção em larga escala, sem tempo para individualidades ou estratégias de produção mais elaboradas. Esse modelo perdurou, gerando lucratividade para diversas empresas que se consolidaram a partir dele. Entretanto, de algum tempo para cá, a conta chegou: aos poucos, as pessoas foram adoecendo e os índices de doenças de ordem psicossomáticas dispararam no mundo inteiro.
E se engana quem pensa que isso afetou o dia a dia apenas das empresas. Esse modelo influenciou não apenas profissionais e lideranças, mas até mesmo as pessoas dentro de suas casas. Gerações inteiras foram educadas para acreditar que sucesso tinha um único formato, dependendo diretamente de profissões específicas e um roteiro de vida pré-determinado. Em vez de incentivar talentos naturais, muitas famílias passaram a direcionar escolhas profissionais com base em segurança financeira, status ou projeções pessoais. Nessa época, era comum que os sonhos não realizados pelos pais fossem transmitidos como obrigação para os filhos.
Esse padrão geracional trouxe uma consequência direta: muitos jovens chegando às suas vidas adultas sem fazer a mínima ideia de quem eles eram, do que gostavam ou mesmo o que queriam da vida. Os adultos, por outro lado, enfrentaram por décadas uma frustração silenciosa, sendo obrigados a seguir essa lógica. Muitas famílias ficaram desalinhadas; muito potencial foi perdido.
A mudança de paradigma, no entanto, começou de forma paralela e em outra área: a psicologia. Afinal, no início do século XX, começavam a ganhar força estudos que deslocavam o foco das doenças para o bem-estar e o desenvolvimento humano. O comportamento deixou de ser analisado apenas como desvio ou patologia para ser compreendido como fator importante para tópicos como felicidade, bem-estar, motivação e engajamento.
A partir desse ponto, surgiram novas abordagens dentro da psicologia – e em muitos casos, destinadas a estudar pessoas “normais”, ou seja, que não estavam acometidas por nenhum tipo de doença. Inclusive, vale mencionar que um dos grandes responsáveis por isso foi William Moulton Marston, criador da Metodologia DISC, que embasa todos os produtos e soluções da ETALENT Behavior Tech.
Voltando ao mercado de trabalho, já nos anos 2000, também há um ponto de destaque para a ruptura com esse modelo. O movimento chamado Sociedade 4.0 começou a discutir a necessidade de alinhamento entre a tecnologia, que começava a se tornar mais expressiva, e o bem-estar das pessoas. Naquela época, com o boom do digital, surgiram novos dilemas. Ao mesmo tempo em que era necessário discutir o impacto das ferramentas digitais no mercado de trabalho, também era preciso entender o que fazer para que elas pudessem ser usadas para o bem-estar das pessoas. Hoje, inclusive, já se discute o surgimento da Sociedade 5.0, uma sucessão desse movimento.
Esses novos entendimentos abriram caminho para que o humano estivesse no centro da discussão. Hoje, saúde mental, qualidade de vida e propósito se tornaram pautas universais não só nas empresas, mas na educação, nas famílias e na esfera pública. E uma das principal mudança nessa realidade, hoje, é a valorização do comportamento em todas essas discussões. Esse fator, que foi tratado como algo secundário por décadas, assumiu um papel de protagonismo na mudança pessoal, profissional e até mesmo em questões familiares.
E isso acontece por um motivo simples, mas que perpassa todas essas esferas: compreender o próprio comportamento significa entender o que nos energiza, o que nos desgasta, como nos relacionamos e quais ambientes favorecem o nosso melhor. Quando uma pessoa vive constantemente desconectada de sua natureza — fazendo escolhas, assumindo papéis ou mantendo rotinas que não combinam com quem ela é — o custo emocional e físico se acumula: estresse, desmotivação, adoecimento e frustração tornam-se cada vez mais presentes.
Valorizar o comportamento, seja nas empresas, nas escolas, nos governos ou famílias, ajuda a reconhecer limites e potencialidades, permitindo que cada indivíduo faça escolhas mais conscientes em diferentes áreas da vida. Ao descobrir seus talentos naturais, a pessoa passa a atuar com mais leveza, propósito e satisfação, evitando gastar energia apenas para “se adaptar”.
Quando o comportamento é respeitado, todos ganham: surgem relações mais harmoniosas, jovens mais confiantes nas próprias vocações, decisões mais alinhadas ao que faz sentido e uma vida mais saudável e realizadora. Porque, no fim das contas, ninguém precisa ser outra pessoa para dar certo — basta ser quem é, no lugar certo.
Famílias: onde tudo começa
O ambiente familiar é o primeiro espaço onde talentos e comportamentos começam a se manifestar. Ainda assim, por influência de um modelo social que valorizou segurança acima de realização pessoal, muitos pais acabam projetando em seus filhos sonhos que eles próprios não puderam realizar. Durante anos, isso criou pressão silenciosa para que jovens seguissem carreiras “seguras”, sobretudo do ponto de vista financeiro. A questão é que nem sempre elas refletiam os interesses e o propósito desses jovens, por mais que os pais quisessem.
O desencontro entre quem a pessoa é e o que alguns pais quem esperam que ela seja se transforma em um conflito geracional profundo. Enquanto os filhos se sentem desconectados de si mesmos, os pais acreditam que estão protegendo. O que eles não percebem, no entanto, é que, ao desconsiderar esses fatores, podem estar limitando o potencial de seus filhos.
É aqui que o conhecimento do comportamento se torna uma virada de chave. Quando uma família entende as características naturais de cada integrante, incluindo questões como a forma com que se comunicam, o que os impulsiona, como tomam decisões, em que situações se sentem valorizados, a dinâmica muda. A convivência passa a ser guiada por empatia e respeito às diferenças, não por expectativas.
O autoconhecimento dentro da família ajuda a responder diversas perguntas que, sob determinada perspectiva, podem parecer subjetivas. Estamos em sintonia com quem realmente somos? Estamos apoiando talentos ou apenas projetando expectativas? Estamos ajudando uns aos outros a encontrar realização ou apenas segurança? Esses são alguns exemplos de questões que apenas o conhecimento do próprio comportamento pode responder.
O resultado é que, em vez de repetir padrões que sufocam vocações, as famílias que valorizam o comportamento constroem autonomia emocional, fortalecem vínculos e incentivam escolhas profissionais mais conscientes. São elas que plantam as raízes para que as próximas gerações possam florescer com autenticidade.
Escolas: o ponto crítico do desenvolvimento humano
As famílias podem ser o primeiro ponto de há a manifestação do comportamento, mas as escolas são a primeira oportunidade de desenvolvimento do potencial humano. Entretanto, aqui, há outra questão expressiva que impede o comportamento dos alunos de ser considerado: o sistema educacional, que é majoritariamente tecnicista e cognitivista. No Brasil, muitas escolas funcionam em uma lógica de produto, tornando a educação uma commodity ao oferecer para os pais um serviço específico: preparar o filho para ingressar em uma faculdade pública. E nem todo jovem consegue se adaptar bem a esse modelo, o que mina por completo o seu potencial.
Nessa lógica, jovens que não conseguem ter um bom desempenho – ou que simplesmente não se interessam – acabam sendo vistos como pessoas que serão incapazes de conseguir bons empregos no futuro. No entanto, há um mundo habitando entre essa lógica e as reais capacidades de cada ser humano. Alunos que se interessam por artes, música, culinária e literatura, por exemplo, normalmente não vão medir essa capacidade nas escolas, mas é isso que vai trazer propósito para suas vidas em um momento futuro.
Em suma, na maior parte do ensino oferecido no país, o comportamento, preferências pessoais, experiências e interesses são completamente destacados em nome de um modelo. Mas a educação pode ir muito além disso. Algumas escolas, por exemplo, são construtivistas e, por isso, feitas para considerar tudo isso no processo de desenvolvimento do aluno como um ser humano. Comparativamente falando, a incidência desse modelo é bem menor do que a do tecnicista, mas elas existem e atestam a importância dessa abordagem para o desenvolvimento humano.
Quando o comportamento é integrado ao processo pedagógico, o aluno começa a desenvolver o seu potencial de protagonismo. Ele entende como pensa, como se expressa, como se relaciona — e aprende com mais entusiasmo, porque se enxerga no que está construindo. Além disso, ele desenvolve confiança e autoestima, fatores esses que podem acabar sendo minados quando ele se sente um “peixe fora d’água” na lógica tecnicista.
Escolas que identificam e desenvolvem aptidões individuais não estão apenas ensinando: estão preparando futuros profissionais saudáveis, capazes de contribuir com o máximo de seu potencial. E, ao fazer isso, elas assumem responsabilidade no desenvolvimento humano e criam pessoas mais capazes de alcançar os próprios objetivos. Afinal, a educação deve ir muito além de algo vendível – deve ser tratada como o primeiro ponto de crescimento do potencial humano.
Empresas: onde os efeitos da negligência comportamental explodem
Como mencionamos ao início desse artigo, de alguns anos para cá, empresas competitivas vêm investindo no comportamento humano praticamente como um ativo. Entretanto, em lugares onde esse fator ainda é ignorado – o que ainda é uma realidade expressiva, cabe explicar – mas consequências mais tangíveis são o adoecimento dos profissionais, quedas na produtividade e altos níveis de rotatividade. É exatamente para corrigir esse descompasso, inclusive, que metodologias como o EBM se tornam cada vez mais valiosas dentro desse contexto, uma vez que ajudam a tornar tangível algo que, até recentemente, parecia subjetivo.
Desconsiderar as individualidades não é algo apenas ultrapassado, como também traz séries consequências do ponto de vista financeiro. Quando o comportamento é deixado de lado, há turnover elevado, absenteísmo, conflitos internos, queda de performance e burnout. Afinal, o que é visto como “problema individual” quase sempre nasce de um contexto onde o profissional precisa desempenhar funções incompatíveis com suas características intrínsecas.
Na tentativa de manter tudo funcionando, mesmo com profissionais exaustos, empresas acabam gerando o oposto: desmotivação e equipes inteiras desconectadas de seu propósito. Por isso, a organização acaba perdendo – seja pela baixa produtividade das equipes, por multas rescisórias provenientes de rescisões ou mesmo pelas faltas recorrentes.
Por outro lado, organizações que enxergam o comportamento como ativo estratégico conseguem operar em um modelo totalmente diferente. Elas entendem que produtividade sustentável nasce quando cada pessoa está posicionada de acordo com o que faz de melhor — e não apenas com o que ela consegue fazer após esforço contínuo e desgaste emocional.
O alinhamento entre perfil, função e ambiente de trabalho não é benefício: é condição importantíssima para que as pessoas prosperem e resultados se multipliquem. Empresas que compreendem isso deixam de gerenciar tarefas e passam a desenvolver talentos. E quando o potencial humano é liberado, o crescimento deixa de ser custoso e passa a ser natural.
Governo: comportamento na infraestrutura social
Toda essa discussão pode ficar ainda mais complexa quando consideramos o setor público. Afinal, é comum que os governos historicamente enxerguem a sociedade como um bloco uniforme; como uma força de trabalho homogênea que deve ser qualificada em massa para “ocupar vagas disponíveis”, e não para prosperar em suas vocações.
Como em todas as outras áreas, no entanto, o resultado disso é o desperdício de potencial humano. Nesse cenário, é comum haver baixa empregabilidade, trabalhadores deslocados em funções desconectadas de suas habilidades naturais e investimentos públicos que pouco impactam a realidade das pessoas. A qualificação genérica parte do pressuposto de que qualquer cidadão pode desempenhar qualquer papel, ignorando talentos singulares que poderiam, com o direcionamento correto, gerar muito mais retorno econômico e social.
Políticas públicas orientadas por comportamento, por outro lado, permitem criar caminhos mais humanos e eficientes. Ao compreender diferentes perfis, é possível direcionar jovens para profissões compatíveis com seu potencial, redesenhar programas educacionais, apoiar transições de carreira com menor sofrimento e mais inclusão e reduzir desigualdades estruturais, por exemplo. Até mesmo a segurança pública pode ser afetada positivamente nesse contexto – afinal, profissionais com capacidades mais altas de atenção e análise podem ser designados para cargos nos quais essas características sejam vitais.
Quando o comportamento passa a ser um pilar para políticas vocacionais, educacionais e sociais, o país deixa de desperdiçar capital humano e começa a construir desenvolvimento sustentável de verdade. Investir no indivíduo deixa de ser custo e, logo, se torna a estratégia que gera impacto coletivo.
Conclusão: o comportamento como base para o futuro do Brasil
O comportamento é o elo invisível que sustenta a sociedade – das relações familiares ao desenvolvimento nas escolas; da prosperidade no trabalho ao sucesso das políticas públicas. Embora, historicamente falando, esse elemento tenha sido desconsiderado muitas vezes, ele deve ser entendido como um dos pilares da construção de um país mais saudável e produtivo.
Por isso, a ETALENT entende que, para transformar verdadeiramente o país, é necessário pensar além de maquinário mais moderno ou tecnologias mais inteligentes. Para que isso seja possível, é preciso entender o verdadeiro motor do desenvolvimento humano e trabalhá-lo desde a infância, direcionando a progressão de cada pessoa ao passo em que ela cria confiança e entende o que quer fazer de sua vida.
Nessa lógica, há mais bem-estar e menos adoecimento. Mais aprendizado e menos evasão. Mais inclusão e menos diperdício de talentos. Só assim, conseguiremos criar sociedades com laços mais estreitos ao mesmo tempo em que abraçamos o que realmente vai fazer diferença no futuro: a individualidade de cada um. É por esse motivo, inclusive, que apesar de já estar sendo aplicada em algumas organizações, a gestão do comportamento não pode ficar restrita a elas. O comportamento é uma ferramenta e impacto coletivo com aplicações que vão muito além da rotinas nas empresas.
A ETALENT acredita que o Brasil tem um potencial gigantesco e que esse potencial está dentro de cada brasileiro. Nosso compromisso é usar o conhecimento comportamental para libertar talentos, orientar escolhas e fortalecer vínculos que façam o país avançar. O EBM é um exemplo de como a gestão do comportamento já está mudando empresas, mas sabemos que essa mesma metodologia pode inspirar transformações ainda maiores na educação, na vida familiar e nas políticas públicas.
Em nossa leitura, o futuro não será apenas tecnológico, mas sim profundamente humano. E é por isso que, para transformar o Brasil, precisamos primeiro transformar a forma como enxergamos o comportamento – jamais como um detalhe, mas sempre como um pilar social.



