O dia das mães é também o dia das filhas e filhos, que são, neste momento, chamados à ação pelas homenagens, presentes, mensagens, manifestações de reconhecimento ou, no mínimo, um telefonema.

Neste domingo, teremos uma grande oportunidade: de não apenas homenagear, mas entender um pouco melhor aquela que nos pôs no mundo. Entender no sentido de identificar seu estilo de forma mais objetiva e prática. E também identificar o nosso estilo, e o que nos levou à nossa história de relações com ela.

Quem sabe essa falta de identificação tenha, no passado, escondido problemas que seriam facilmente resolvidos pelo respeito mútuo à diferença de perfis pessoais.

Você, cuja genitora ainda se encontra no planeta, conhece bem essa pessoa? Não estou falando de discernir os traumas que ela lhe fez passar, ou as broncas, as punições. Ou mesmo o acolhimento, o conforto e o carinho incondicional, que fazem parte da história da vida.

Falo da identificação de seu estilo pessoal, como ser único, seu jeito preferido de se comunicar, de saber qual é o talento dela para lidar com pessoas, se ela é mais objetiva ou mais subjetiva, menos ou mais paciente, mais rápida ou mais reflexiva.

Se pudéssemos respeitar a característica única das pessoas, especialmente quando essa pessoa nos deu á luz isso seria muito oportuno. Para respeitá-la, nada melhor que conhecê-la mais. De forma mais isenta, emocionalmente. Em sua individualidade, com toda a riqueza de sua subjetividade.

Mas não vamos parar por aí. Vamos conhecer também quem se relaciona com essa mãe. No caso, nós, filhas e filhos. Por exemplo, identificar as afinidades e os contrastes, que nos fazem únicos para ela. E ela para nós, saindo um pouco do senso comum.

Lembro-me de algumas pequenas histórias ilustrativas dessas questões de identificação e conhecimento mútuo, aqui um pouco resumidas, simplificadas, mas baseadas em fatos reais.

Roberto e Elizabeth

Desde seus verdes anos, Roberto revelava seu comportamento ativo, inquieto, às vezes, impositivo, dono de uma objetividade cortante. Paciência quase nenhuma. Bastante comunicativo. Seguir normas e procedimentos, para ele, era tortura. Sua mãe, Elizabeth, o achava exageradamente contundente, pois ela mesma era dona de um temperamento pacato, reservado, com grande afinidade aos detalhes, uma perfeccionista que demandava atenção às regras e mantinha a casa perfeitamente organizada. Horários rígidos. Muito longe do estilo de Roberto. Embates frequentes. A mãe de Roberto sempre havia sido taxada de “chata”, para dizer o menos. Conflito que se estendeu até a pós-adolescência, e só foi amenizado com a maturidade do rapaz bem lá na frente. Mais tarde, Roberto teve uma chefe assim em seu trabalho. A dificuldade de relacionamento e entendimento continuava, se bem que controlada, pelas contingências da vida profissional. Essa história de relação poderia ser diferente?

Larissa e Renata

Uma adolescente imersa em seus próprios sonhos. Reflexiva, reservada, organizada, amável. Confidente das colegas que lhe atribuíam a tarefa de escutar seus problemas. Sua mãe, Renata, uma executiva realizadora, objetiva, sem tempo para demonstrações de afetividade. Afinal, seu estilo acreditava num mundo orientado a resultados concretos, nada abstratos. Achava a filha algo perto de uma nulidade, e não escondia seu julgamento, o que nunca facilitou a interação entre as duas. Mas o tempo se encarrega de atualizar as percepções. Larissa torna-se uma pianista consagrada, e, em sua apresentação num concerto em que recebe um prêmio, ela vislumbra a mãe na plateia, orgulhosa e perplexa pelo sucesso da filha, que por incrível que pudesse aparecer, não havia se tornado uma executiva como ela. E se Larissa entendesse Renata, e vice-versa, com bases nos respeitáveis estilos de cada um, sem o complexo de Narciso, que achava feio o que não era espelho.

Quanto teriam se beneficiado Roberto e sua mãe, Elizabeth, se se conhecessem mutuamente através, por exemplo, de uma ferramenta objetiva e descritiva de estilos naturais e circunstanciais de comportamento? E se Larissa e Renata, igualmente, se vissem através de lentes menos envolvidas na relação e mais esclarecedora dos talentos de cada uma?

Assim como na vida profissional, as ferramentas comportamentais e metodologias com as quais trabalhamos ajudam as pessoas em seus trabalhos e também a ter um melhor entendimento, aceitação e respeito na vida pessoal. E filhos e mães, mães e filhas poderiam descortinar uma nova perspectiva de relação e reconhecimento mútuos e com isso os almoços de dias das mães poderiam ser um pouco diferentes, em muitos casos.

Feliz dia das mães a todas e todos!

 

Sidney Frattini

Por Sidney Frattini

Consultor Master da ETALENT desde 2000. Coach Executivo. Professor da FGV Management. Mestre em Administração pela FGV. Especializado em Recursos Humanos e Desenvolvimento Comportamental.

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