Gerente Comercial. Era exatamente este cargo, tão almejado por pessoas que atuam no varejo, que eu tinha acabado de conquistar logo após voltar ao mercado de trabalho, depois de um ano e meio de dedicação à casa, ao marido e ao filho recém-chegado. Para quem olhava de fora, parecia algo admirável, mas, na verdade, eu mal sabia que me sentiria tão mal sucedida. Mesmo com 20 anos de atuação no ramo, fui descobrindo aos poucos que meu potencial como gestora comercial, papel que representei tão bem em outras circunstâncias, tinha acabado. Para ser sincera, já vinha sentindo isso há algum tempo, mas não conseguia conceber a ideia de exercer outra atividade. A cobrança para fazer algo que eu não gostava mais me trouxe muito sofrimento: acordava chorando para ir trabalhar e contava as horas para acabar o expediente. Vivi assim por quase um ano, e entrei em pânico por não saber o que eu queria, não saber mais a minha identidade. Até quando alguém pode viver assim?

Certamente não fui a única a perceber o meu descontentamento, e então me vi desempregada da noite para o dia, com compromissos financeiros, escola do filho etc. No dia seguinte, fui conversar com uma amiga que tem uma consultoria de RH para checar se havia alguma oportunidade. Eu estava disposta a ir para loja, shopping, mesmo sabendo que isso me traria dinheiro e só. Ela não tinha nada com esse perfil, mas me convidou para trabalhar na consultoria, até que aparecesse algo melhor. O interessante é que, por uma grande coincidência do destino, sentamos para ela ler o meu perfil comportamental DISC e o relatório apontou que eu me encaixava na área de Recursos Humanos. Sabe que eu nunca tinha pensado nisso?

No começo foi difícil. Passei a andar de ônibus e metrô (não que isso seja um problema, mas para quem tinha carro desde os 18 anos, fruto de trabalho, era algo novo), tomei chuva, sol, o dinheiro não dava para almoçar. Ganhava o suficiente para pagar a escola do meu filho e nada mais. Dispensei a empregada e limpava a casa aos finais de semana. Aliás, meus programas de final de semana eram ir ao mercado e ao parque com a família, sem extravagâncias. Ao mesmo tempo, meu trabalho foi ganhando destaque e comecei a atuar em processos seletivos de clientes grandes, recebendo cada vez mais elogios. Assumi um cargo de coordenação de equipe e passei a gerenciar a consultoria, até que um dia fui chamada para um cargo temporário no RH de um grande grupo. O salário ainda não era dos melhores, mas eu estava amando o que fazia. Aceitei. Por reconhecimento do presidente da empresa e dos colaboradores, assumi uma vaga efetiva. Foi fácil? Não! Chorei muito, dormi pouco, emagreci demais, mas tudo isso estava valendo a pena.

Hoje trabalho como Supervisora de Recursos Humanos em um grupo renomado, lido com pessoas de perfis variados no meu cotidiano e, quando posso, numa conversa na hora do almoço, no café, no bar, seja onde for, conto minha trajetória e sempre falo sobre a importância de trabalhar com aquilo que dá “brilho nos olhos”.

O que tirei de lição dessa história? Que o autoconhecimento é fundamental para alcançarmos satisfação pessoal e profissional. O DISC ajudou muito nisso, e tive sorte de encontrar essa ferramenta no meio do caminho, pois deu a luz que eu precisava para me dedicar a outra atividade.Se você se reconheceu nesse meu depoimento, deixo aqui uma reflexão que ouvi certa vez do Jorge Matos, Presidente da ETALENT, e me marcou bastante: “Não trabalhe para buscar a felicidade, e sim, seja feliz para poder trabalhar”.

Por Flávia Parise

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