É comum ouvir que vivemos a era da tecnologia, da velocidade e do conhecimento. Percebemos diariamente que esses influenciadores estão mudando nossa cultura e a forma de se relacionar, de se comunicar, de trabalhar, dentre outras atividades rotineiras de nossas vidas. Conectados e interligados via mundo virtual, vivemos grande parte do nosso dia diante de computadores, smartphones, tablets, celulares com internet dentre tantos outros sistemas que nos apóiam nas tomadas de decisões, na busca continua por informações, nos novos aprendizados e nas novas formas de estudar, consumir e trabalhar.

O ir e vir dessas infinitas informações e formas de acessá-las é proporcional à capacidade de criação e adaptação do homem que as manipula. Habilidades, conhecimentos, comportamentos, atitudes, reconhecimentos, insights e inovações ditam a velocidade da evolução do desenvolvimento humano e tecnológico.

Devemos entender que uma tecnologia vai muito além de uma simples ferramenta. A tecnologia se transforma com o tempo, é composta e moldada muito mais pela ideia humana do que pelo esforço físico empregado nela. Para chegarmos ao computador, tivemos que passar pela roda, pela caravela, pelo carro. Diante das tecnologias, deve-se posicionar o profissional que atua na educação nas organizações. É ele que dá potencial educacional a ela.

Pesquisas são realizadas no mundo todo, tentando dar conta de traçar o perfil dos usuários das TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação) numa perspectiva de identificar tendências. O fato é que a expressão “a qualquer hora e de qualquer lugar”, no que diz respeito à utilização das redes sociais, já está enraizada em nossas culturas, sejam elas, educacionais, sociais ou organizacionais, promovendo a troca do conhecimento, o compartilhamento de ideias e de desafios.

Acompanhe alguns exemplos de paradigmas quebrados nos últimos dois anos:
• Mídias Sociais não são exclusivas de jovens: 40% de seus usuários do Facebook em 2010 já tinham mais de 35 anos.
Fonte: iStrategy Labs/ 2010.

• Blogs impactam nos negócios: Empresas que geram conteúdo por meio de blogs tem 55% maior tráfego em seus websites do que aquelas que não o fazem.
Fonte: HubSport State of Inbound Marketing Report/2011.

• As redes sociais são formadoras de opinião e grandes influenciadoras no processo decisório: 48% dos consumidores comuns seguem conversas online das indústrias das quais fazem compra, 41% lêem discussões online para aprender mais sobre inovação e assuntos do momento, 37% já postaram perguntas na internet para receberem sugestões e feedbacks e 20% se conectaram a potenciais indústrias provedoras de soluções nas redes sociais.
Fonte: Inside the mind of the new B2B buyer /2010.

Os dados acima ratificam a proposta de Vygotsky sobre o processo de construção do conhecimento. Nele, o indivíduo é um sujeito ativo que interage com o seu redor através dos instrumentos de mediação, construindo os conhecimentos de forma ativa, tendo verdadeiramente compreendido.

A essência da organização moderna é o sucesso baseado nas pessoas com conhecimentos culturalmente diversos. A educação corporativa aparece, nesse cenário, como uma forma de armazenar e socializar o capital intelectual acumulado pelos profissionais da empresa, tendo como objetivo tornar-se uma instituição em que o aprendizado seja uma ação contínua e permanente. Tal propósito parece estar mais aderente ao conceito da zona de desenvolvimento proximal descrita por Vygotsky, em que as potencialidades dos indivíduos são levadas em conta no processo de ensino-aprendizagem. Isto porque, a partir do contato com outros colegas, com diferentes níveis de experiência e com realidades histórico-culturais diferentes, as potencialidades desses indivíduos podem ser transformadas em situações em que são ativados esquemas processuais cognitivos ou comportamentais.

O bom uso de tecnologias em projetos de educação corporativa auxilia na qualificação profissional e no cenário educacional de grandes, médias e pequenas organizações. Quanto mais atrativo, didático, lúdico, flexível, interativo e disponível o formato da informação a ser acessada, mais o usuário terá vontade de consumir e replicar. Resultado: mais aprendizado e crescimento pessoal, profissional e organizacional.
As empresas ainda temem usar todo o potencial tecnológico com medo de perder a autoria de suas ideias. Fecham-se em cárceres virtuais, enquanto as novas gerações passeiam livres pela web. Uma nova forma de desenvolver pessoas para este tempo é a que se aventura pelo semântico, pelo 3D, pela realidade aumentada e virtual. Estes ainda são assuntos muito distantes da maioria das corporações que só aderiram ao e-learning.

Sistemas inovadores fomentam o relacionamento e até nos ajudam a traçar perfis comportamentais, os quais nos auxiliam na formação de times dentro das empresas, network e ampliação das redes profissionais com foco no alinhamento do desenvolvimento individual e organizacional.

O novo uso destas ferramentas e plataformas tecnológicas propicia o autoconhecimento e a comparação entre o perfil individual, o perfil profissional pretendido e a construção de um plano de carreira. Também auxilia as empresas que querem reter pessoas certas, que contribuam com a cultura organizacional e assumem o desafio de ter um ambiente que propicie o desenvolvimento de conhecimentos, habilidades e comportamentos geradores de atitudes de alta performance.

De fato, “atitudes de alta performance” só podem ser geradas pelas pessoas – só elas possuem atitudes. E são de “alta performance” quando originadas de Conhecimentos, Comportamentos e Habilidades agindo em sinergia, adequados ao tipo de trabalho e ambiente em que se produz. Conhecimentos e Habilidades são, tradicionalmente, elementos tangíveis, passíveis de mensuração relativamente precisa pelas avaliações extensamente praticadas no meio empresarial ou acadêmico. E quanto ao Comportamento?

As modernas ferramentas tecnológicas de inventário comportamental, como o DISC, permitem compararar fatores específicos do comportamento de um profissional e prever sua adequação às práticas de uma função. E o fator comportamental constitui a “liga”, que permite a uma pessoa estudar mais (adquirir mais conhecimentos) e praticar mais (tornando-se mais e mais habilidoso). Múltiplos benefícios, resultados efetivos, proporcionados por atitudes que celebram o aprendizado dinâmico, que a sociedade moderna, mais do que reclama, exige.
Outro benefício bastante agregador é a facilidade da retenção, organização e acessibilidade do que hoje é percebido como o ativo mais valoroso e competitivo das organizações: a inteligência do capital humano. De maneira informal ou formal, via vídeos, depoimentos gravados, artigos, diálogos, fotos, entrevistas, processos, comunidades virtuais de prática, blogs e tantos outros formatos e funcionalidade digitais que nos permitem extrair, capturar e tratar o conhecimento tácito em conhecimentos explícitos. Assim, os colaboradores tornam-se coautores da história não só da empresa, mas também do seu segmento. Eles são valorizados pelo seu “saber fazer”, agregam conhecimentos que geralmente não estão empacotados didaticamente nas escolas, universidades e livrarias.

Cabe a nós, profissionais de educação corporativa, assumir o papel de agentes transformadores, catalisadores de uma economia globalizada e humanizada. Ao fazermos uso consciente e responsável de tecnologias e estratégias educacionais inovadoras estaremos proporcionando um ambiente favorável à sustentabilidade dos profissionais que buscam o equilíbrio e a motivação para desempenhar com excelência sua profissão, gerirem suas carreiras com a clareza de propósitos e o comprometimento de gerar os melhores resultados para a empresa na qual trabalham.

Devemos incorporar essa voraz mudança cultural a nosso favor, e não como algo obscuro, de difícil compreensão e manuseio. Perceber e adaptar os inúmeros benefícios com que a tecnologia nos alcança, como um facilitador para uma melhor educação, para uma melhor gestão de talentos, para uma comunicação mais transparente e para a construção de uma sociedade mais democrática e justa.

Investir em tecnologias com intuito de potencializar os resultados gera ganhos na eficiência, no tempo e no retorno do investimento financeiro. Uma vez que o conhecimento esteja identificado, tratado e disponibilizado, torna-se assegurado e com grande potencial para ser disseminado (sempre com foco no objetivo e nas estratégias a serem alcançadas). Os conhecimentos e/ou as informações quando suportados pela tecnologia, podem perpetuar, serem editados, atualizados e multiplicados para várias pessoas, áreas, regiões, países … Sem limites!

O que é mais sensacional: podemos unir o lúdico ao ato de educar. Aí surge o emprego de jogos, redes sociais, wikis à educação corporativa – formas de aprender, de se divertir e de colaborar. O uso intencional de mídias digitais vem mostrar que muitas vezes estamos mais distantes um do outro dentro de uma sala de treinamento tradicional do que em um chat, ainda que estejamos, você no Japão e eu no Brasil.

Por Adriana Schneider, Diretora de Relacionamento da ETALENT

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