Ah, o amor. . . 

Amar, algo tão difícil – quase impossível de se definir. Seja em sua forma, origem. Causa e consequência. Sentido e efeito.

O amor é tão complexo que desde os primórdios das artes e ciências, tentamos explicá-lo.

Mas como explicar algo tão minucioso, tão pessoal, tão situacional?

Dizem que o amor é um evento universal, que qualquer ser humano é capaz de vivê-lo. Que irá viver em algum momento. Que talvez seja o alicerce de nossa existência, de um sentido maior na vida humana. Como Freud disse em sua obra O mal-estar na civilização:

Ame o próximo como a ti mesmo

Esta expressão – que por vezes nos remete ao contexto religioso, não vive os seus melhores dias. O sociólogo e filósofo Zygmunt Bauman, grande pensador da modernidade que nos deixou ano passado, faz refletir em sua obra Amor Líquido sobre o quanto nossa fragilidade de construir laços duradouros e plenos vêm sendo exposta pelo mundo moderno.

Nos conectamos em rede com tantos indivíduos que perdemos progressivamente a capacidade de conhecer, perceber e sentir o outro na profundidade e tempo devidos. O convívio baseado na flexibilidade, naquilo que é “útil e prazeroso hoje, mas que amanhã deve ser trocado pelo novo/diferente, tão prazeroso e efêmero quanto o anterior” enfraquece a habilidade de amar.

Afinal, amar exige esforço e atenção. Exige dor. Exige a incerteza, o constante desconforto ao qual estamos nos “desacostumando” diante de tantos prazeres e atividades viciantes, eufóricas e instantâneas.

Bauman também diz:

Pois o que amamos em nosso amor-próprio são os eus apropriados para serem amados. O que amamos é o estado, ou a esperança, de sermos amados. De sermos objetos dignos do amor, sermos reconhecidos como tais e recebermos a prova desse reconhecimento. Em suma: para termos amor-próprio, precisamos ser amados.

Sem dúvidas, amar nos tempos modernos é um talento e tanto. Pois é um processo longo e incerto, diferente da realidade líquida, onde tudo e todos estão disponíveis a curto prazo, certos e substituíveis.

O amor romântico

Dia dos Namorados 2018

amor romântico, aquele que tanto nos deixa aflitos, confusos e felizes (nem sempre nessa ordem) – celebrado em diversas culturas, como na data de hoje, não foge desse contexto.

O psicólogo e linguista Steven Pinker, autor do livro Como a mente funcionaaborda com um pouco mais de objetividade a questão das relações amorosas. Argumenta que em nossa evolução biotecnológica, o maquinário mental formula periodicamente as bases de nossos sentimentos e emoções para fins de reprodução humana e perpetuação de nosso gene, característica de uma sociedade que precisava crescer em número e qualidade.

Como não vivemos mais um mundo de pura competição e receio de extinção (ao menos em teoria), esse tipo de escolha emocional talvez venha passando por mais uma reformulação. Cabe a nós definir: o que de fato sentimos?

Quem de fato amamos? Ou antes disso: o que é importante na arte de amar?

Como Mark Manson diz no livro A sutil arte de ligar o foda-se, é necessário que cada um adote valores positivos de refêrencia na vida e abandone de vez o que chama de valores escrotos – ou seja: tudo aquilo que não te faz crescer e desenvolver emocionalmente.

O amor segue esse caminho: recheado de humores, de sentimentos conflitantes e períodos disformes, só conseguimos apreender sua existência e praticá-la com o ser amado identificando o que é importante para que ambos tenham uma vida melhor, feliz e significante.

Se amar uma pessoa começa no detalhe, na singularidade de um evento específico – algo que também estamos perdendo e que Simmel previa em sua obra As grandes cidades e a vida do espíritoamar a si mesmo, que vimos ser tão importante, começa com a identificação desses valores que dão norte a vida e ao autoconhecimento.

Por isso, nesse 12 de junho, mais do que qualquer presente simbólico – seja um chocolate, um jantar romântico ou aquele filme, foto ou lugar onde acontecera o primeiro encontro, pense no quão raro e gratificante é amar alguém. Um talento que todos temos em nossa essência, mas que precisa ser lapidado através da paciência, da conexão e da empatia.

De saber que somos vulneráveis e que o mundo é incerto. Que precisamos estar dispostos a aceitar a diferença do outro, suas imperfeições. De aceitar os nossos defeitos, pois sem isso não há segurança e confiança – características fundamentais para o amor ter vida.

O amor está no ar. Num ar rarefeito, de altíssimas altitudes – é verdade. Mas só ama aquele que passa pelo desafio de escalar o monte até o pico.

Feliz dia dos namorados! 💕

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