Os tempos atuais estão pautados por discussões a respeito do bem-estar psicológico, da saúde mental e da prevenção de doenças psicossomáticas. A ansiedade, a depressão e a síndrome de burnout, por exemplo, já são temáticas comuns no cotidiano das pessoas, seja nas pesquisas científicas, em representações artísticas ou na rotina diária em casas, faculdades e ambientes corporativos.

Essa alta de popularidade, infelizmente, não é à toa. De acordo com pesquisas recentes realizadas pela a Organização Mundial da Saúde (OMS),  o índice de depressão é um dos cinco mais elevados do planeta, chegando a atingir 4,4% da população mundial e totalizando mais de 322 milhões de pessoas. No Brasil, a situação é especificamente ruim: a doença afeta 5,8% dos indivíduos, o que torna o país o quinto mais atingido pela condição.

Quando o assunto é a ansiedade do brasileiro, o cenário é ainda pior. Segundo as pesquisas, 9,3% da população é afetada pela doença, número que torna o país o maior do mundo em número de pessoas com transtorno de ansiedade. Estima-se que, em média, 264 milhões de indivíduos sejam afetados no planeta, o que equivale a 3,6% da população.

A pandemia e o isolamento social, como é possível imaginar, agravaram ainda mais a situação. De acordo com um estudo realizado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), os casos de depressão praticamente dobraram entre os 1.460 entrevistados durante o período e os de ansiedade e estresse tiveram um aumento de 80%.

Lidar com essas doenças não é tarefa fácil, mas quando uma pessoa conhece a si mesma, essa árdua jornada pode ser menos punitiva. É nesse ponto que entre o autoconhecimento, uma habilidade aliada na luta contra as doenças psicológicas. Em conjunto com tratamento e acompanhamento profissional, o autoconhecimento pode representar a diferença entre respeitar os próprios limites ou ultrapassá-los e agravar a condição mental. E, por isso, ele é o assunto do nosso artigo de hoje!

 

O que é autoconhecimento?

Segundo Carl Jung, fundador da psicologia analítica, “quem olha para fora, sonha; quem olha para dentro, desperta”. A famosa frase sumariza o conceito de autoconhecimento, que corresponde a uma série de processos de desenvolvimento e amadurecimento emocional, afetivo, cognitivo, relacional e corporal. Como o próprio nome indica, o autoconhecimento capacita o indivíduo a compreender suas questões com maior facilidade, o que é essencial para que ele entenda a forma com que se comporta, sente e manifesta suas emoções. Desenvolver o autoconhecimento ajuda a identificar limites, reconhecer forças, fraquezas, sinais de cansaço e, evidentemente, a manter a mente saudável e equilibrada.

Quando uma pessoa se conhece bem, ela tem maior controle sobre o seu desenvolvimento pessoal, além de aumentar seus níveis de autoestima e determinação. Assim, ela potencializa o controle sobre suas emoções, reflete melhor sobre suas escolhas e frustrações. Isso permite que lide melhor com mudanças, imprevistos ou até mesmo situações desconfortáveis, uma vez que a inteligência emocional diminui a impulsividade e torna as pessoas mais analíticas.

Como ferramenta relacional, o autoconhecimento também é muito importante. Afinal, é preciso saber lidar com comportamentos e atitudes vindas dos demais, principalmente quando são opostas às nossas. Avaliando as relações e entendendo como e por que elas nos impactam, situações que poderiam gerar conflitos acabam se tornando apenas questões banais do dia a dia.

Conhecendo a si mesmo e entendendo como suas emoções, traumas e vivências a afetam, uma pessoa se torna capaz de lidar melhor até mesmo com a depressão e a ansiedade. É um trabalho contínuo e que precisa ser aprimorado ao longo do tempo, mas efetivo e que pode ser a chave para superar essas doenças.

Dentre alguns pontos norteadores para o desenvolvimento do autoconhecimento, destacamos:

Entender o que você está fazendo

Desenvolver o autoconhecimento requer voltar o olhar para dentro e refletir. É seguro afirmar que todos nós desenvolvemos algumas atitudes que, à primeira vista, não conseguimos entender e nem explicar muito bem. Talvez isso se manifeste por conta da dificuldade de admitir erros ou em pedir ajuda, por teimosia demasiada, pela tendência ao isolamento ou medo de intimidade, dentre outras diversas possibilidades. Afinal, o comportamento é algo complexo e que pode ser afetado tanto por questões internas quanto externas. Trabalhar o autoconhecimento é entender por que manifestamos nossas ações e sentimentos de determinada maneira e, assim, compreender, de fato, por que agimos de determinada forma.

Refletir sobre o que está sentindo

Há muitas pessoas que passam a vida inteira sem refletir sobre o que sentem. A questão é que, quando não há preocupação em entender os próprios sentimentos, é comum que, em determinados momentos, eles saiam de controle e a pessoa os manifeste impulsivamente, o que, tanto na vida pessoal quanto na profissional, pode levar a desfechos indesejados. Compreender e saber lidar com os próprios sentimentos também ajuda a lidar com críticas, evita posturas reativas e possibilita que as pessoas aprendam com os seus próprios erros.

Pensar em quais são os pontos que precisam de atenção

Desenvolver o autoconhecimento proporciona uma série de benefícios que podem ser desfrutados tanto pessoal quanto profissionalmente. Um dos principais é entender quais são os pontos que precisam de atenção e desenvolvimento. Isso porque, no ambiente corporativo, o profissional que identifica que tipo de tarefas ele exerce bem sozinho e em quais ele precisa de ajuda poupa tempo e aumenta a produtividade. Conhecer as próprias limitações é importante para que uma pessoa adote uma postura protagonista e não se deixe vitimizar pelas circunstâncias.

Para promover o autoconhecimento, a utilização de análises como o Relatório Comportamental de Desenvolvimento são muito bem-vindas. Através deste estudo, pautado na Metodologia DISC e seus fatores, é possível identificar as peculiaridades comportamentais, bem como os pontos fortes e os que precisam de atenção de acordo com cada perfil. Em conjunto com as Devolutivas Individuais, que são sessões de mentoria focadas em estimular o autoconhecimento, fica mais fácil entender as próprias limitações e, também, as maiores forças.

E você, conhece o seu perfil? Sabe quais são suas forças e fraquezas?

Comece agora a sua jornada de autoconhecimento!

 

O autoconhecimento e a diminuição da ansiedade, do burnout e da depressão

A ansiedade, a depressão e o burnout são doenças psicossomáticas, ou seja, patologias que afetam tanto o físico quanto o psíquico. As origens dessas doenças variam bastante, mas é comum que elas surjam quando há desequilíbrios químicos no cérebro. Isso pode acontecer a partir de um evento traumático específico ou ser o resultado de condições contínuas de estresse ou esforço em demasia.

A ansiedade é uma doença marcada pelo excesso de preocupação e pela incapacidade de relaxar. Uma pessoa ansiosa sente grande tesão e, por vezes, isso pode acontecer sem um motivo palpável ou racional. As crises de ansiedade mais graves podem desencadear as chamadas crises de pânico, em que é comum ter uma sensação de morte iminente em conjunto com sintomas como dificuldade para respirar, taquicardia, tremedeiras, náuseas e dores no peito. Se não forem tratados, esses episódios podem se transformar em uma síndrome.

O burnout é um fenômeno ocasionado pela exposição contínua a intenso estresse físico, emocional e mental relacionados ao excesso de trabalho. A doença é caracterizada pela sensação constante de esgotamento e sintomas como cansaço extremo, insônia, dificuldades de concentração, fadiga, dores musculares e até perda de memória em alguns casos.

A depressão é uma patologia caracterizada pela tristeza profunda e pelo sentimento de desesperança. Apesar de se manifestar de formas diferentes, é comum que pessoas depressivas apresentem sintomas como distúrbios de sono e de apetite, oscilações de humor, baixa autoestima, apatia, desinteresse e falta de perspectiva. Vale ressaltar que, em casos de depressão, esses sentimentos se manifestam por longos períodos, diferentemente de momentos pontuais que podem ocorrer na vida de uma pessoa mentalmente saudável. Essa é uma doença incapacitante e que, se não tratada, tende a ser muito perigosa.

Como mencionamos, a ocorrência desses quadros aumentou consideravelmente desde o início da pandemia de coronavírus. De acordo com pesquisas publicadas no periódico científico JAMA Pedriatrics, os sinais dessas doenças em jovens dobraram durante o período. Mesmo hoje, com a situação relativamente controlada, as marcas psicológicas desses meses de medo e desesperança ainda se mostram presentes. Um exemplo disso é o desenvolvimento de uma síndrome batizada de FORTO, sigla proveniente do inglês fear of returning to the office, ou seja, medo de voltar ao escritório. Esta é uma condição de ansiedade e estresse engatilhada, especificamente, pela volta ao trabalho presencial.

Os tempos atuais são particularmente propícios para o desenvolvimento dessas patologias. Por isso, é importante entender o quanto antes que, assim como o corpo, a mente tem limites. Estar ciente deles é fundamental para respeitá-los e não perder o controle. O autoconhecimento é, também, saber como lidar com você mesmo e suas necessidades. Às vezes, isso está representado por atitudes como manter uma dieta equilibrada, ter momentos para lazer, praticar atividades físicas constantemente, ter uma rotina regular de sono, realizar tarefas que gerem energia a si próprio e evitar pessoas e situações que a consomem. É importante que a pessoa conheça a si própria e entenda como os fatores externos podem afetá-la para, assim, se tornar capaz de evitar as situações propícias para tal.

Quanto melhor nos conhecemos, mais cedo somos capazes de identificar os sinais de esgotamento e piora no quadro mental. Entendemos, assim, quais demandas somos capazes de abraçar e quais devemos delegar em nome da própria saúde. Depressão, ansiedade e burnout são doenças que necessitam de acompanhamento profissional e podem não melhorar completamente apenas com maturidade e inteligência emocional, mas estar ciente destas questões é essencial para preveni-las, manter a sanidade e promover o bem-estar e a felicidade, mesmo em tempos difíceis como os que vivemos.

 

Autoconhecimento e produtividade

A produtividade está diretamente relacionada à motivação e à disposição para realizar as atividades. Pessoas produtivas evitam a procrastinação, procuram finalizar o que começam e anseiam progredir no que se propõem a fazer. Mas vale ressaltar que isso não significa que elas trabalhem por mais tempo – elas o fazem de maneira mais inteligente. E o grande segredo para conseguir administrar as nuances de produtividade e aproveitá-las da maneira certa é conhecer bem o próprio comportamento e hábitos.

Ninguém é produtivo o dia inteiro, isso é um fato. Horários, ambientes e circunstâncias são alguns elementos que podem interferir diretamente no desempenho. Cabe a nós mesmos identificar quais fatores funcionam como catalisador e quais podem minar o nosso próprio rendimento. As possibilidades são inúmeras: há quem não consiga produzir bem se exposto a sons e conversas alheias, quem se sinta motivado trabalhando enquanto ouve música, há pessoas que têm picos de energia em períodos pouco usuais como as madrugadas, dentre inúmeras possibilidades.

É extremamente importante que sejamos capazes de identificar essas peculiaridades. Para tal, devemos observar nossas próprias maneiras de produzir e entender o que nos alavanca e o que precisamos evitar para não comprometer o nosso rendimento. Além disso, é justamente quando compreendemos como nosso fluxo funciona que conseguimos prevenir doenças como o burnout, muito comum em pessoas que se forçam a ultrapassar o limite da produção saudável. Mas isso só é possível quando nos dedicamos a desenvolver o nosso autoconhecimento.

Para realizar esse processo de forma efetiva, contar com bons recursos é essencial. O MyEtalent é um programa de coaching  on-line voltado para o autoconhecimento e autodesenvolvimento que te ajuda a identificar não apenas as circunstâncias que mais favorecem o seu fluxo de trabalho, como também quais tipos de atividades te geram energia e quais são desgastantes para você. Essas são informações essenciais tanto para alavancar a performance quanto para prevenir doenças referentes à saúde mental.

 

Atingindo o estado de flow

Também conhecido como mindfulness, o estado de flow é um estado mental definido pelo professor de psicologia e pesquisador da Universidade de Chicago, Mihaly Csikszentmihalyi, na década de 1970. Segundo ele, este é um momento caracterizado por um pico orgânico de produtividade, ou seja, um momento em que atingimos o ápice do rendimento durante uma determinada atividade e a realizamos com tanto foco que nem mesmo interrompemos o processo. O estado de flow é bastante satisfatório e prazeroso, o que gera enorme contentamento em quem consegue atingi-lo.

Seja enquanto toca um instrumento, realiza atividades físicas, produz arte ou trabalha, uma pessoa precisa de condições favoráveis para que consiga alcançar esse estado mental. Concentração, ambiente, companhia e, evidentemente, a noção que ela tem em relação às suas habilidades contam muito para desencadear o pico produtivo. E de nada adianta forçar essa condição enquanto há fatores que desviam o foco.

Quando a saúde mental de uma pessoa está afetada, é natural que ela tenha mais dificuldade de atingir o estado de flow. Afinal, o desgaste, o cansaço e até mesmo dores físicas proveniente das doenças psicossomáticas podem dificultar o processo. Por isso, é muito importante estar ciente do próprio estado mental e não tomar decisões que podem afetar ainda mais as próprias condições psíquicas.

Atingir o flow e reconhecer os próprios limites são duas tarefas que só são realizadas efetivamente quando uma pessoa se dedica a desenvolver o seu autoconhecimento. É fácil acabar se consumindo com rotinas desgastantes e altas demandas e esquecer que uma mente saudável precisa de equilíbrio. E, quando o assunto é saúde mental, produtividade e desempenho, não adianta tentar sair pela tangente: estas são questões interdependentes e que, quando saem de harmonia, podem gerar uma grande bola de neve difícil de controlar.

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