Eu tenho um sonho. Meu sonho é que um dia as empresas brasileiras sejam um exemplo de gestão para o mundo. E que eu ainda esteja vivo, saudável e atuante para fazer parte do movimento. Tem dias que meu sonho parece factível, próximo. Tem dias que ele parece distante, quase impossível.

Nos dias em que ele parece factível, normalmente estou conversando com jovens empreendedores, bem-educados, cheios de energia, sofisticados mentalmente. Ou com executivos de topo de alguma das poucas empresas que nos honram e se destacam pela exceção. Nos dias em que ele parece quase impossível, normalmente estou conversando com gerentes de RH ou algum outro participante do nível médio das milhões de empresas medíocres que empesteiam este país.

Como tudo no Brasil, a regra é a desigualdade. De um lado este mar de mediocridade que nos cerca, este bando de gente brigando por um troco e esperando a aposentadoria. Desta gente não devemos esperar nada. Eles pensam mal, trabalham mal e fazem o mínimo necessário para não ser demitidos. Do outro, os sonhadores, que veem sua vida profissional como realização, como caminho para o autodesenvolvimento e para a prosperidade. Estes investem em sua educação, garimpam oportunidades, se desenvolvem todos os dias.

Perceba que eu não fiz a divisão por nível intelectual, social ou financeiro. A divisão é por motivação, por vontade de crescer na vida. De ir além… Por que algumas pessoas não veem seu trabalho como fonte de prazer, de crescimento, de prosperidade? Sem isto, trabalho é apenas sofrimento… Apenas um preço a pagar pelo dinheiro necessário para sustentar necessidades de outra ordem.

O mais assustador é que esta é a experiência cotidiana da maior parte das pessoas. Segundo a Gallup, apenas 13% das pessoas que trabalham no mundo inteiro tem uma experiência de engajamento com seus trabalhos. Ou seja, apenas 13% das pessoas do mundo (21% na América do Sul) se sentem realmente felizes em seus trabalhos. É muita gente trabalhando no que não gosta, sem perspectiva, sem tesão. Burocraticamente. Gente que trabalha assim não inova, não surpreende, não muda o mundo. E nós estamos precisando desesperadamente de gente com vontade de mudar o mundo.

Por isto, se você se reconhece entre estas pessoas, faça um favor a você e a todos nós: peça demissão. Peça demissão e encontre um trabalho onde você se sinta bem. Onde o fluxo do seu dia seja adequado ao seu ritmo e à sua quantidade de energia. Onde você se sinta energizado e sem medo. Onde as relações pessoais te alimentem e te façam sentir querido. Onde você se sinta parte relevante do todo. Onde você sinta prazer por estar lá e por fazer o que faz. Quando isto acontecer, você vai perceber quão maravilhoso é trabalhar. E o quanto trabalhar pode fazer você se desenvolver na sua vida, nas suas relações pessoais, na sua conexão com o todo. Quando isto acontecer, você será mais feliz, fará menos força e ganhará mais dinheiro.

Está esperando o quê?

 

Daniel Castello

Por Daniel Castello
Consultor e Palestrante nas áreas de Estratégia e Gestão de Pessoas. Articulista do Portal Endeavor e da Revista T&D Inteligência Corporativa. Começou a carreira na área de TI, fundando em 1989 a startup Iris do Brasil, vendida em 1997 para a ADP Systems. Foi Diretor Corporativo de RH da Gazeta Mercantil, Diretor de Tecnologia da ADP Brasil e Vice-Presidente Executivo da ABRH Nacional. Como consultor liderou dezenas de projetos de transformação, em empresas como Abbott, Syngenta, Gruppo Campari, Grupo Santander, Banco Mercedes-Benz, Mapfre Seguros, AON Affinity e Grupo Telefónica.

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