Desde o início da pandemia provocada pela COVID-19, as medidas de restrição necessárias para o isolamento social causaram diversas mudanças e a flexibilização das relações de trabalho. Durante o período, muitas empresas adotaram o trabalho remoto como opção. Porém, mesmo com a melhora dos indicadores de mortes e infecções, o cenário do mercado não deve voltar à realidade que era anteriormente. As organizações observaram que oferecer aos seus colaboradores flexibilidade para a realização das atividades profissionais é vantajoso e produtivo para ambos os lados. Daí a importância de se fazer a boa gestão de equipes híbridas.

 

O que são equipes híbridas?

Por definição, “híbrido” é algo proveniente de duas espécies ou origens distintas, isto é, a junção de dois objetos que formam um terceiro. Quando se trata do modelo híbrido de trabalho, o assunto em questão é a utilização dos formatos presencial e remoto de maneira simultânea. 

As chamadas equipes híbridas nada mais são do que grupos de profissionais que alternam os dias em que precisam se deslocar até a estrutura física da empresa e os em que realizam as demandas diretamente de suas residências ou outro local de preferência. 

Este modelo, que foi imposto de maneira abrupta em função da pandemia, ganha cada vez mais corpo e se mostra uma tendência global. Um estudo sobre o tema foi realizado pela WeWork em parceria com a HSM (publicado em março/2022) contou com a participação de mais de 10 mil lideranças e executivos da América Latina.

Dentre as conclusões, destacamos:

  • 81% dos profissionais da América Latina preferem o trabalho híbrido.
  • 52% dos profissionais brasileiros trabalham em empresas que adotaram o modelo híbrido
  • 22% das empresas no Brasil reduziram sua estrutura física
  • 47% dos colaboradores brasileiros preocupam-se com distrações e interrupções no trabalho presencial.

Quando a este último dado, certamente há uma relação com os perfis comportamentais predominante no país: 46,29% dos brasileiros são Influentes (ou seja, pessoas muito relacionais e sociáveis), enquanto o talento mais frequente nas lideranças brasileiras é o Observador (18,49%), um talento da eStabilidade (ou seja, os mais persistente e focados).

 

Prós e contras do modelo híbrido de trabalho

Mas,  antes de a empresa adotar o modelo de trabalho híbrido, é preciso que as pessoas estejam cientes dos pontos positivos e negativos que existem em sua utilização. Desta forma, será possível focar no aperfeiçoamento de sua implementação para utilizá-lo da melhor forma possível, potencializando suas vantagens.

Desafios

Para estabelecer o formato híbrido, um processo de adaptação precisará ser constituído, de modo que todos se envolvam e possam compreender as necessidades e obrigações existentes.

Investimento em infraestrutura 

No que se refere ao modelo remoto, existe a demanda de investimentos em equipamentos que possam ser utilizados pelos colaboradores: computadores, câmeras, teclados e microfones, entre outros recursos que normalmente estariam disponíveis para a realização do trabalho de maneira presencial. Assim,  o funcionário que, por ventura, não tenha algum dos materiais disponíveis não sairá prejudicado.

Comunicação

Ter uma comunicação eficiente é fundamental em qualquer equipe de trabalho – mas, para fazer a transição para o modelo híbrido, ela é ainda mais relevante. Com a constante movimentação dos profissionais entre os ambientes presencial e virtual, é preciso ter atenção redobrada para que não se perca o alinhamento de informações entre os setores e grupos.

Uma comunicação interna ruim pode levar ao mau desempenho na execução das tarefas, causando prejuízos para a instituição, sejam em questões financeiras ou operacionais. Se faz necessário também oferecer maneiras de manter a socialização saudável entre os funcionários, já que a limitação de encontros presenciais pode causar impactos negativos no espírito coletivo.

Cultura organizacional

Outro quesito importante é o que se refere à cultura organizacional. Com a adesão às equipes híbridas, pode ocorrer o distanciamento entre o colaborador, a missão e os valores da empresa, principalmente se for o caso de novos contratados. 

Portanto, é essencial que os gestores e líderes saibam manter o entrosamento e a conexão entre os colaboradores, a fim de evitar que se criem divisões e desentendimentos na execução das atividades e no relacionamento dos profissionais.

Vantagens

Apesar dos diversos desafios que o modelo híbrido traz, também existe uma série de vantagens que melhoram a produtividade e a qualidade de vida dos profissionais. 

Qualidade de vida e bem-estar

Não é raro que os colaboradores percam boa parte do dia realizando o deslocamento até o local de trabalho. São horas improdutivas e desgastantes, que prejudicam não só aspectos profissionais, como também questões pessoais dos indivíduos.

Quando a obrigatoriedade de sair de casa todos os dias deixa de existir, é possível realizar uma maior e melhor gestão de tempo, o que naturalmente causará impactos positivos na saúde, bem-estar e produtividade do profissional. 

Conforto 

Estar em um ambiente que seja confortável, com privacidade, traz a comodidade essencial para que o colaborador se sinta bem consigo mesmo e possa trabalhar da maneira que lhe for mais agradável. Essa comodidade possibilita a potencialização das competências, mais entregas e disposição para realizar aquilo que lhe for solicitado. 

Redução de custos

Quando os colaboradores vão à empresa diariamente, há uma série de despesas para manter o funcionamento do local: gastos com água, luz, aluguel, limpeza e manutenção de equipamentos são alguns exemplos disso. 

Na medida em que a presença física dos colaboradores diminui, os custos para manter o funcionamento da empresa também serão reduzidos. A economia possibilita alternativas: a realocação de recursos para outras áreas, investimento em novas ações ou a reserva no caixa da corporação, por exemplo. 

Menos turnover

Funcionários que se sentem felizes na realização de suas atividades naturalmente vão buscar passar o máximo de tempo possível exercendo a função e mantendo o vínculo com a empresa. Na prática, isso significa uma diminuição significativa dos pedidos de demissão e, por consequência, dos processos de Recrutamento e Seleção. A flexibilidade do modelo híbrido de trabalho diminui as taxas de rotatividade de profissionais na empresa. 

 

Dicas para gerenciar equipes no modelo híbrido

O modelo híbrido é apontado como tendência e tem sido bem-visto, mas utilizá-lo requer planejamento e envolvimento de todo o Capital Humano de uma empresa. Gerenciar pessoas e equipes neste modelo misto pode causar muitas dúvidas e incertezas num primeiro momento. Assim, ao adotar o modelo híbrido de trabalho, é preciso desconstruir ideias e modelos pré-estabelecidos, já que esta nova forma de trabalhar mistura aspectos dos modelos presencial e remoto.

O papel do RH

A área de Recursos Humanos tem um papel fundamental na implementação das equipes híbridas. Como é responsável pela Gestão de Pessoas, lida diretamente com as questões que envolvem todos os colaboradores da empresa e se torna um mediador entre a liderança e o Capital Humano. O RH deve identificar carências e questões que necessitem de atenção especial, gerando, assim, informações sobre as pessoas e indicando estratégias que possam auxiliar no melhor andamento do negócio.

Para mapear o Capital Humano, o RH dispõe de softwares de Gestão Comportamental, como o Etalent PRO. Usando os conceitos da Metodologia DISC, uma das ciências comportamentais mais utilizadas no mundo, é possível analisar quais colaboradores se adequam melhor às diferentes atividades. Assim, os profissionais entendem seus pontos fortes e dificuldades, aumentam seu engajamento e produtividade. Consequentemente, as empresas atingem melhores resultados.

O papel da liderança

Como sabemos, os bons líderes dão o exemplo e inspiram suas equipes. Para ter sucesso na liderança de equipes híbridas, o gestor precisa entender que, neste formato, a maneira de liderar deverá ser adaptada. Por isso, devem estar incluídos nas rotinas de transição para o modelo híbrido. É importante que a liderança mantenha uma boa comunicação com a equipe, acompanhe o desenvolvimento das atividades e, claro, entenda as peculiaridades deste formato de trabalho.

Neste contexto, a relação com os colaboradores deve ser pautada em confiança, não em cobrança ou microgerenciamento. Conhecer o perfil comportamental de cada colaborador ajuda muito a entender a forma com que eles trabalham, seja presencial ou remotamente.  E, para ajudar nesta tarefa, a ETALENT oferece duas análises estratégicas: o Relatório de Gestão e o Relatório em Trabalho Remoto.

Mas, para saber como usar o comportamento dos colaboradores de uma equipe em favor da produtividade e do bom clima organizacional, é preciso estar apto a praticar a liderança a partir desses aspectos. No curso de Liderança Comportamental, o foco é desenvolver a capacidade dos gestores de exercerem essa competência a partir dos aspectos comportamentais de cada colaborador e, assim, tornar sua liderança mais eficiente, otimizada e adaptável.

Com equipes híbridas, a flexibilização e a necessidade de se reinventar podem parecer assustadoras inicialmente, mas são fundamentais para se obter os tão desejados resultados de alta performance.

 


Leandro Silva

Leandro é da equipe de Conteúdo da ETALENT e apoia os times de Marketing e Educação Digital. Estudante de Jornalismo, adora acompanhar reality shows e é apaixonado por esportes - não perde a oportunidade de assistir a qualquer partida de futebol.

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