Hoje em dia, muito ouvimos falar das soft skills. Mas ainda é comum ver algumas pessoas projetando seu sucesso profissional em formações acadêmicas, diplomas, cursos, especializações e outros meios voltados para o aprendizado e o conhecimento técnico (as chamadas hard skills). Essa preocupação é o resultado direto da demanda de um mercado que, durante anos, utilizou este como o principal critério na hora de contratar novos profissionais.

As mudanças rápidas dos tempos atuais, no entanto, fizeram surgir novas exigências e, com elas, tendências diferentes no contexto da atualização profissional. Com a influência da transformação digital, utilização estratégica do RH e a preocupação em alavancar a performance do Capital Humano de maneira sustentável, ter um currículo pesado e cheio de competências técnicas deixou de ser o suficiente para assegurar o sucesso e o desenvolvimento profissional de um colaborador. Agora, entende-se que há outros fatores tão relevantes quanto as capacidades técnicas para contratar, manter e desenvolver uma pessoa. E o principal deles é o seu comportamento.

Esse é o temas do nosso artigo de hoje. Você sabe qual é a diferença entre as soft skills e as hard skills? Quanto elas são importantes para o seu sucesso profissional? Siga com a gente que vamos te contar!

 

O que são as hard skills?

Os conceitos de soft skills e hard skills propõem uma diferenciação entre as habilidades comportamentais e as técnicas de uma pessoa, respectivamente. Apesar de não ser possível fazer uma tradução literal desses termos mantendo seu sentido, as expressões têm origem no inglês, onde a palavra skill significa “habilidade”.

As hard skills correspondem aos conhecimentos técnicos que um profissional possui. Elas podem ser mensuradas e são de fácil identificação já que, muitas vezes, podem ser comprovadas através de um diploma ou certificado. Por muito tempo, essas habilidades foram o principal critério para a contratação e manutenção de colaboradores por parte de uma empresa, o que explica o fato de algumas pessoas ainda insistirem no aprimoramento exclusivo dessas competências.

Essas aptidões podem ser aprendidas através de workshops, cursos ou mesmo através de treinamentos que objetivem a capacitação de um profissional em determinada habilidade. Alguns exemplos comuns de hard skills são:

  • Cursos técnicos, especializações, mestrados e doutorados;
  • Fluência em um ou mais idiomas estrangeiros;
  • Perícia em determinado software;
  • Gestão de pessoas ou projetos;
  • Edição de imagens e vídeos;
  • Habilidades de informática;
  • Desenvolvimento de programas;
  • Conhecimentos relacionados à operação de maquinário;
  • Proficiência na escrita;
  • Perícia em contabilidade ou matemática.

Em um processo de Recrutamento e Seleção, essas são as informações que ficam mais visíveis aos avaliadores – até porque elas constam em qualquer currículo, a depender, logicamente, do cargo e da necessidade da empresa. Todavia, com as novas demandas do mercado, as habilidades técnicas têm deixado de ser critério absoluto e dividido cada vez mais espaço com as habilidades comportamentais, que veremos mais a fundo no próximo tópico!

 

E as soft skills?

Diferentemente das aptidões técnicas, as soft skills estão relacionadas às competências sociocomportamentais de uma pessoa. Elas são o resultado de suas características emocionais, sociais e cognitivas e estão associadas à capacidade de lidar com as próprias emoções, tanto no âmbito pessoal quanto no profissional. Esse tipo de habilidade fica mais visível em situações cotidianas, uma vez que impactam diretamente a forma com que alguém lida com os ambientes frequentados e com as demais pessoas ao redor.

Por serem subjetivas, é difícil de avaliar as soft skills de uma pessoa sem conhecê-la com mais profundidade. Essas competências não podem ser comprovadas por certificados e diplomas – era mais comum que aparecessem em situações como um bate-papo durante uma entrevista ou até mesmo nas dinâmicas de grupo de um processo seletivo.

Atualmente, o avanço tecnológico e a capacidade de processamento de dados trouxeram alternativas para realizar avaliações de perfil comportamental antes mesmo das etapas de entrevistas e dinâmicas de grupo. Com a aplicação de Inteligência Artificial, algoritmos são capazes de gerar análises de adequação do candidato a uma vaga, baseadas nas competências comportamentais exigidas para a função.

É o caso dos relatórios de perfil comportamental da plataforma Etalent PRO, que podem ser utilizados por empresas para otimizarem seus processos do Capital Humano, ou mesmo por pessoas que queiram desenvolver o autoconhecimento. As análises estão disponíveis em nossa loja e são vendidas separadamente.

Por fazerem parte da experiência psicossocial e serem formadas a partir das características comportamentais de uma pessoa, as soft skills são mais difíceis de aprender e de ensinar. Alguns exemplos comuns são:

  • Inteligência emocional;
  • Comunicação interpessoal;
  • Persuasão e argumentação;
  • Proatividade;
  • Capacidade de trabalhar sobre pressão;
  • Liderança;
  • Criatividade;
  • Colaboração e trabalho em equipe;
  • Pensamento crítico;

No cenário atual, em que a satisfação dos colaboradores serve como catalisador para sua produtividade, a importância dessas habilidades vem crescendo mais a cada dia. Em tempos anteriores, onde a mentalidade difundida no mercado valorizava excessivamente as capacidades técnicas em detrimento das comportamentais, abria-se espaço para que a máxima “contrata-se pelo conhecimento e demite-se pelo comportamento” fosse consolidada.

Essa conhecida frase marca a problemática da mentalidade desse período. Antes que as mudanças de paradigma ocorressem dentro das empresas, era comum que uma organização utilizasse exclusivamente o critério técnico para selecionar o seu Capital Humano. A consequência disso é que sempre havia o risco de acabar construindo equipes habilidosas e com vasto conhecimento técnico, mas que não se adequavam aos seus cargos, não produziam tanto quanto poderiam e, em alguns casos, nem mesmo contribuíam para a cultura organizacional da empresa. Nestas situações, muitas vezes, mesmo com excelente aptidão técnica, os colaboradores eram demitidos por não apresentarem o comportamento adequado, o que aumentava o índice de turnover e era prejudicial para a organização.

Por isso, as habilidades comportamentais vêm sendo tão valorizadas. Hoje, entende-se que de nada adianta possuir um time capacitado que não produz, colabora e que, em alguns casos, pode até mesmo ter a saúde emocional comprometida por essa falta de alinhamento das competências comportamentais com os cargos. Além disso, vale lembrar que é muito mais fácil ensinar as capacidades técnicas para um colaborador com um perfil adequado do mudar o comportamento de um profissional inadequado com vasto conhecimento técnico.

Liam Neeson dizendo: "Eu tenho um conjunto muito particular de habilidades."“Eu tenho um conjunto muito particular de habilidades .”

 

Como identificar suas habilidades individuais e seus gaps para desenvolvê-los?

Quando falamos em aquisição e desenvolvimento de habilidades, é natural que logo pensemos nas hard skills. Afinal, aprendê-las é relativamente simples, bem como mensurá-las. Treinamentos, cursos, workshops e a prática constante normalmente são o suficiente para que determinada habilidade seja aprendida ou aperfeiçoada.

Com as soft skills, no entanto, as estratégias são um pouco diferentes. Por conta de seu caráter subjetivo e atrelado ao comportamento, essas habilidades são mais difíceis de aprender e aperfeiçoar, mas isso não significa que esta seja uma missão impossível. A questão é que, com as habilidades comportamentais, o processo fica mais concentrado nas decisões individuais de cada um. Isso significa que, para desenvolvê-las, é preciso buscar a possibilidade de mudança dentro de si.

O primeiro passo para trilhar esse caminho é investir no autoconhecimento. Este é um aliado muito importante para o reconhecimento e desenvolvimento das competências comportamentais. Ao aprimorar essa habilidade, nos tornamos capazes de controlar as emoções de maneira mais efetiva, refletir melhor sobre nossas escolhas, compreender nossas necessidades e também a forma com qual nos relacionamos com os ambientes e com as pessoas ao nosso redor. Conhecendo a nós mesmos, respeitamos nossos limites e estabelecemos relações mais saudáveis conosco, o que ajuda a entender mais sobre nosso próprio comportamento e sobre nossos pontos de maior e menor destaque.

Promover uma jornada de autoconhecimento, autodesenvolvimento e transformação pessoal é a proposta do MyEtalent, nosso programa de coaching on-line. Essa é uma poderosa forma de identificar as competências que se sobressaem, as atividades que mais geram energia para a pessoa e os gaps que precisam ser trabalhados. E, em conjunto com uma Devolutiva Comportamental Individual, o processo fica ainda mais acurado. As devolutivas são sessões de feedback realizadas por nossos consultores e têm como objetivo desenvolver o autoconhecimento a partir de uma análise detalhada do comportamento.

Além de buscar o autoconhecimento, algumas formas de desenvolver os gaps e aprimorar as habilidades comportamentais são:

  • Participar de projetos desafiadores que te obriguem a sair da zona de conforto;
  • Identificar e estabelecer referências que sejam boas quanto à habilidade que você deseja adquirir ou aperfeiçoar para, assim, poder observar e aprender;
  • Pedir feedbacks aos demais a respeito da competência que você está tentando desenvolver.

 

Como as organizações podem apoiar o desenvolvimento de seus colaboradores?

Aprimorar as hard skills e as soft skills não deve depender exclusivamente da vontade do colaborador – o ideal é que a empresa onde ele trabalha também esteja comprometida com esse processo e ofereça oportunidades para tal. Cabe ao RH adotar medidas que auxiliem o Capital Humano no aperfeiçoamento e no fortalecimento dessas competências.

Quanto às habilidades técnicas, algumas práticas efetivas para o desenvolvimento são a realização de treinamentos corporativos, programas de capacitação, palestras, workshops e financiamentos de cursos e especializações em conjunto com instituições de ensino. Utilizar elementos lúdicos, como a gamificação para motivar os participantes a alcançarem os objetivos pretendidos, também é uma boa estratégia para alavancar o desenvolvimento. Com esse recurso, os colaboradores aprendem enquanto se divertem, o que é excelente para a retenção de conhecimento.

As competências comportamentais, por outro lado, estão atreladas a um processo contínuo de aprimoramento profissional. Para que essas habilidades se desenvolvam, podem ser necessários programas de acompanhamento individual, a fim de identificar as características que precisam de atenção e ajudar os colaboradores a aprimorá-las. Quando incluídos em um contexto contínuo de desenvolvimento, palestras e workshops que tratam de temáticas diretamente relacionadas às soft skills, como comunicação interpessoal, liderança e proatividade, também podem ser utilizados. Além disso, em alguns casos, o acompanhamento com um profissional qualificado, como um psicólogo ou terapeuta, pode se fazer necessário. Isso pode ser sugerido pelo RH ao colaborador e adotado em conjunto com as demais medidas para o desenvolvimento promovidas pela empresa.

Oferecer esse tipo de oportunidade é importante tanto para a organização quanto para seus colaboradores. Isso porque medidas como estas ajudam a criar uma experiência de trabalho positiva para os profissionais, que se sentem mais valorizados e gratos pela oportunidade de aprendizado. Desta forma, eles aumentam o repertório, se qualificam e tornam-se ainda mais valiosos no mercado de trabalho.  A empresa, por outro lado, forma equipes mais eficientes e equilibradas. Os benefícios são consideráveis para ambos os lados.

Como avaliar as competências de um profissional?

Antes de traçar planos de desenvolvimento para os colaboradores, é importante identificar quais são os seus gaps e saber como trabalhá-los. Desta forma, é possível descobrir quais competências já estão presentes nas organizações e quais precisam ser fortalecidas nas equipes. Entre algumas sugestões para realizar esse processo, destacamos:

Mapeando as habilidades

Saber quais tipos de habilidades são necessárias para o desenvolvimento das equipes e o crescimento da organização é essencial. Uma boa forma de dar início ao processo de descoberta é através da utilização dos chamados pools de talentos, que ajudam não apenas a identificar as competências presentes, como também as que precisam ser trabalhadas. A utilização de um Mapa de Talentos detalhado, capaz de fazer levantamentos relacionados ao comportamento dos profissionais, ao clima e à cultura organizacional, é de grande ajuda nesse processo.

Outra forma eficiente de trazer as características dos colaboradores à tona é através de Relatórios de Desenvolvimento. Essas análises detalham os aspectos comportamentais de cada profissional, o que evidencia suas competências comportamentais mais marcantes e, também, as que precisam de atenção para serem desenvolvidas. Quando alinhadas, essas duas ferramentas fazem grande diferença no mapeamento de habilidades.

Realizando processos seletivos eficientes

Para construir times equilibrados quanto as hard skills e as soft skills, nada mais natural do que realizar processos seletivos que considerem essas habilidades, não é mesmo? É importante que as exigências já apareçam desde o momento em que é divulgada a vaga. Esse tipo de medida adotada desde o início serve como um filtro para que apenas os adequados sejam contratados e possam fazer parte das equipes.

Veja como aplicar essas análises desde o início do processo de Atração no vídeo a seguir:Análise comportamental em toda a Atração de Talentos

Outra medida interessante para avaliar as competências comportamentais é fazer, durante a entrevista, perguntas que abordem os aspectos desejados e que possam dar ao recrutador uma ideia de como o candidato lida com as habilidades desejadas. Em nosso Relatório de Seleção, disponibilizado pela ferramenta Etalent PRO, listamos algumas sugestões de perguntas para validar as características comportamentais. Assim, mesmo que as soft skills sejam subjetivas e mais difíceis de medir, é possível avaliar o quanto e como os candidatos utilizam essas características.

Liderando pelo comportamento

A liderança comportamental é um modelo de gestão voltado para o desenvolvimento do colaborador, que se se baseia em seu perfil comportamental. Considerar esse aspecto na hora de liderar os times ajuda a identificar quais funções cada profissional exerce com mais naturalidade e facilidade, bem como as que são mais desgastantes e custosas para ele. Dessa forma, é possível acompanhar de perto a performance e a práticas de cada competência, o que ajuda a ter dimensão das habilidades presentes na empresa e das que precisam ser aprimoradas.

No nosso curso de Liderança Comportamental, essas e outras vantagens desse modelo de liderança são abordadas e discutidas. O foco é treinar os líderes para exercerem essa habilidade de forma otimizada e inteligente!

O incentivo ao autoconhecimento e o autodesenvolvimento

Investir em treinamentos, cursos e palestras é apenas o primeiro passo de uma longa caminhada. Esses recursos são efetivos quando utilizados de maneira pontual, mas não garantem a criação de um desejo constante de aprendizagem e evolução nas equipes, o que é essencial para o desenvolvimento de soft skills e hard skills em longo prazo. Esse processo deve partir também dos colaboradores e, para tal, a necessidade de aprimoramento contínuo precisa ser estimulada pela empresa em sua cultura organizacional.

Quando esses valores são enraizados na organização, a procura pela evolução acontece de forma natural e os profissionais também se sentem responsáveis por seu próprio desenvolvimento. A ideia é que eles não fiquem restritos à educação formal e nem aos treinamentos trazidos pela empresa – é preciso que as equipes desenvolvam o autoconhecimento e criem autonomia para identificar os próprios gaps e tentar trabalhar neles por si só, sejam de soft skills ou hard skills.

Para fomentar essa mudança, o Personal Change é um grande aliado. Esse workshop é voltado para a transformação pessoal e, através dela, proporciona o apoio necessário para o autodesenvolvimento dos colaboradores. O programa ajuda o profissional a se aperfeiçoar a partir do entendimento de seu comportamento e, assim, gera ganhos significativos em relação à autonomia e ao autoconhecimento. Com essa ferramenta, fica mais fácil criar times que anseiam por aprimoramento e que, mesmo fora da empresa, procuram evoluir a cada dia.

Mesmo com as mudanças de paradigma no cenário, ainda é comum que as habilidades comportamentais sejam subestimadas quando postas lado a lado com as técnicas. No artigo de hoje, vimos como este é um grande equívoco – afinal, profissionais insatisfeitos, frustrados e difíceis de lidar podem comprometer o desempenho de equipes inteiras e possuir um vasto leque de competências técnicas não isenta ninguém dessa possibilidade. Desenvolver algumas habilidades comportamentais, por outro lado, pode ajudar a prevenir esse cenário.

Por isso, reiteramos: o comportamento é essencial para construir carreiras sólidas e que tragam felicidade, realização e bem-estar. Este ponto jamais deve ser ignorado ou deixado de lado por profissionais que almejam a alta performance. Estar atento ao equilíbrio entre as soft skills e as hard skills é a chave para trilhar um caminho bem-sucedido e que seja saudável para profissionais e organizações!

E você? Já sabe quais são as suas soft skills?
Fale com um consultor ETALENT!