Empresas que curam, ou healing organizations, são uma verdadeira tendência no cenário corporativo. O conceito, originalmente proposto por Raj Sisodia e Michael Geld, sugere uma ideia que poderia ser estranha em décadas passadas: as organizações como peças centrais na cura. Isso engloba uma atuação expressiva em pontos como qualidade de vida, responsabilidade social, saúde mental – e, nos casos de maior sucesso do mercado, até mesmo ajudando os colaboradores a lidarem com quadros psicossomáticos, como a depressão e a ansiedade.

Esse processo não acontece à toa. Afinal, os investimentos em qualidade de vida são uma forma de fazer com que os colaboradores consigam exercer melhor suas funções e por mais tempo. Historicamente falando, o próprio conceito surge como algo que atende tanto os interesses dos colaboradores quanto os dos empresários. E nem é preciso aprofundar muito a linha de raciocínio para entender o porquê: quando se sentem satisfeitas, felizes e realizadas, a tendência é que as pessoas se dediquem mais e se sintam menos desgastadas com o trabalho.

Da mesma forma, o investimento em práticas de responsabilidade social, ou seja, ações adotadas por uma organização em benefício da sociedade, seja visando ao seu público interno ou pessoas de fora da empresa, também vêm fazendo a diferença. Cada vez mais, os consumidores dão preferência a empresas que lidam com seriedade com tópicos sensíveis, como o impacto causado no meio ambiente, compliance, diversidade e inclusão, além do  trato para com o Capital Humano.

Empresas que curam adotam estes como valores de uma mentalidade humanizada e evoluída. Contudo, seguir esse propósito não acontece do dia para a noite – é preciso mudar a cultura organizacional e investir em ações específicas. Mas, afinal, como fazer isso? É o que você vai descobrir no artigo de hoje. Boa leitura!

 

O que são empresas que curam?

De acordo com Raj Sisodia e Michael Geld, empresas que curam são aquelas que conseguem gerar riqueza para curar a dor de uma sociedade. Para a dupla, essas organizações são movidas por um propósito maior do que o lucro e, por isso, se diferenciam de negócios mais tradicionais, em que os acionistas e líderes enxergam apenas as oportunidades de aumentar a lucratividade e a rentabilidade.

Essa ideia é o resultado do reconhecimento, por parte de Geld e Sisodia, de que o modelo pautado somente na competição e dinheiro trouxe diversos problemas não apenas para os profissionais, mas também para o mundo inteiro. Isso vai desde o impacto no meio ambiente até a alta incidência de doenças de ordem psicossomática. Aliás, vale sempre lembrar: hoje, há até mesmo distúrbios específicos de trabalho que são desencadeados pelo estresse crônico, como é o caso do burnout. Essa síndrome, inclusive, foi reconhecida pela OMS há pouco tempo, mas já se estima que atinja até 30% dos brasileiros adultos.

De acordo com a entrevista de Raj Sisodia ao The Marketing Journal, a ideia é que as empresas que curam façam algo para aliviar o sofrimento e aumentar a alegria na vida de todos os envolvidos por suas ações. Para ele, um negócio deve funcionar como uma cura para as dores da sociedade, não apenas como uma resposta imediata às dores de clientes. A preocupação, nesse caso, vai além de funcionários e envolve famílias, meio ambiente, ecossistemas e a vida de uma forma geral. Na visão de Sisodia, esse tipo de atuação também vai ajudar a diminuir as tensões culturais, econômicas e políticas entre as pessoas.

É importante ressaltar, contudo, que a importância do lucro e da rentabilidade não é rechaçada pelos autores. A proposta deles é considerar o sucesso corporativo como algo para além do lucro em si, não apenas definido por ele. Além disso, cabe sempre reiterar: existem diversas pesquisas que apontam a importância de fatores como o bem-estar e a qualidade de vida para as receitas da empresa. Logo, a tendência é que o investimento em um modelo de gestão ultra-humanizado, na verdade, faça com que a empresa consiga melhorar ainda mais aspectos como reputação e produtividade – o que impacta diretamente o seu potencial lucrativo.

Na mesma entrevista, Raj Sisodia explicou que a diferença entre conceito proposto e empresas tradicionais. Segundo ele, “o CEO de uma empresa tradicional vê uma oportunidade de mercado e diz ‘olha, essa é uma oportunidade de fazer dinheiro explorando uma lacuna no mercado’. Já o de uma empresa preocupada em curar pensa que ‘essa é uma oportunidade de ganhar dinheiro explorando uma lacuna no mercado. Vamos pensar em iniciativas de responsabilidade social e programas de bem-estar para mitigar o sofrimento que causamos com isso. Ah, e vamos investir dinheiro na caridade também’“.

 

Origem do termo “empresas que curam”

O conceito surgiu a partir do livro escrito por Raj Sisodia e Michael Geld. O título, chamado “Empresas que curam: despertando a consciência dos negócios para ajudar a salvar o mundo” (2020), é resultado de um movimento voltado para um capitalismo mais consciente, algo que é defendido pelos autores. Como vimos, para a dupla, o lucro não pode ser a única questão a nortear a atuação de uma empresa: também é necessário entender o sucesso de uma organização pensando na sua atuação perante a sociedade, melhorando a vida não apenas das pessoas que ali trabalham, como também de comunidades inteiras.

 

Pilares das empresas que curam

De acordo com o livro, existem três pilares fundamentais que definem a atuação e a cultura de uma empresa que cura. São eles:

Primum non nocere (primeiro, não causar dano)

Na perspectiva dos autores, não causar dano significa gerenciar o negócio de forma que ele não afete negativamente pessoas, meio ambiente nem animais. Em outras palavras, isso significa adotar práticas de bem-estar corporativo, investir na saúde mental, estar sempre de acordo com as práticas de ESG e fazer tudo que puder para evitar impactos negativos nesses âmbitos – e, se houver, a empresa precisa mitigá-lo o mais rápido possível.

Malus eradicare (erradicar o mal)

Erradicar o mal, segundo Sisodia e Geld, envolve nunca praticar abuso ou exploração, tampouco ser conivente com esse tipo de conduta. Empresas que curam devem sempre defender a justiça e a integridade, independente da situação. Para isso, é fundamental entender cada pessoa como contribuinte, além de rechaçar a competição interna.

Amor vincit omnia (o amor vence tudo)

Empresas que curam baseiam suas ações no amor, segundo os autores. Como vimos, isso também envolve a ideia de que o sucesso está muito além do lucro e que, na verdade, a satisfação e a alegria que a organização causa nas outras pessoas também deve ser considerada nessa métrica.

 

10 passos para se tornar uma empresa que cura

O processo de se tornar uma empresa que cura não é algo que pode ser feito da noite para o dia. É preciso ter atenção a alguns pontos específicos para conseguir equilibrar as ações voltadas para o bem-estar do Capital Humano com causas sociais e ambientais. Dito isso, algumas dicas interessantes são:

Adote um modelo de gestão humanizado

A gestão humanizada é um modelo de gerenciamento de pessoas cujo diferencial é considerar as individualidades, particularidades e subjetividades de cada colaborador. Quando uma empresa adota essa prática como uma parte da sua cultura organizacional, ela consegue melhorar a employee experience dos profissionais enquanto, ao mesmo tempo, cria um ambiente organizacional saudável para suas equipes. A gestão humanizada também é interessante para promover a flexibilidade, o que pode aumentar, por exemplo, o tempo que os profissionais passam com suas famílias, afetando, positivamente, todo seu núcleo familiar.

Promova o alinhamento entre cargos e comportamento

O comportamento também é um fator de destaque quando o assunto é curar as dores individuais. Afinal, quando as pessoas desempenham funções para as quais estão adequadas em termos de perfil comportamental, todo o processo de trabalho se torna menos desgastante. Aliás, não existe pessoa errada para assumir um cargo em aberto – há quem esteja adequado para tal, considerando o estilo comportamental, e quem não esteja. E ter esse tipo de ciência faz uma diferença enorme na hora de motivar, engajar e tornar a experiência dos colaboradores a melhor possível.

Isso porque atuar em um cargo que fuja radicalmente das características intrínsecas do próprio comportamento é nocivo para o colaborador, além de exigir um gasto energético muito maior. É o que chamamos de trilha vermelha, de acordo com os princípios da ecologia humana. Todavia, colaboradores que exercem funções adequadas às suas características naturais conseguem fazer isso de forma harmônica e muito mais prazerosa, o que é fundamental para a qualidade de vida.

É preciso realizar processos de Recrutamento e Seleção já pensando nessas questões. Só assim, é possível garantir que o novo profissional irá desenvolver uma rotina saudável, em que consiga aproveitar o melhor do seu potencial sem minar a saúde mental. E para isso, é fundamental usar um bom software de gestão de pessoas. O Etalent Pro faz uma série de análises detalhadas sobre as características comportamentais do candidato, bem como as do cargo em aberto.

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Em conjunto com o Relatório do Talento, fica bem mais fácil entender qual tipo de função é adequada para cada pessoa.

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Ofereça salários e benefícios competitivos

A segurança financeira é parte importante do processo de cura. Isso por conta de um motivo muito simples: a falta de dinheiro é uma das questões que mais afetam a saúde mental e emocional dos colaboradores. Não há acompanhamento psicológico que ajude caso o motivo da ansiedade de um colaborador seja o medo de não conseguir pagar as contas no final do mês, por exemplo. Isso sem mencionar o fato de que, quando as contas não batem, eles podem acabar recorrendo a trabalhos extras, o que os deixa ainda mais exaustos.

Por mais que algumas empresas tratem bem-estar e remuneração de forma desvencilhada, eles não estão. Além disso, vale reiterar: empresas que curam não são coniventes com nenhum tipo de exploração. Por isso, oferecer salários e benefícios competitivos, como vale-refeição, alimentação, transporte e plano de saúde, por exemplo, é fundamental. Como consequência, eles aproveitam mais os momentos de lazer e cuidam melhor da saúde mental.

Implemente programas de diversidade e inclusão (D&I)

A diversidade e a inclusão corporativa se referem à presença de pessoas oriundas de realidades distintas como parte do Capital Humano e, também, ao esforço que a empresa faz para que essas pessoas tenham seus pontos de vista validados. Contratar colaboradores de grupos minoritários é entendido como uma prática de responsabilidade social, uma vez que afeta comunidades inteiras – afinal, é comum que pessoas oriundas desses grupos sejam até mesmo excluídas do mercado de trabalho. Por mais competentes que esses profissionais sejam, eles estão sempre sujeitos a sofrer com preconceitos e não avançar nem mesmo em processos seletivos de empresas que não têm essa preocupação.

Além disso, ter mulheres, pessoas LGBTQIA+, PCDs e colaboradores de todas as etnias e realidades socioculturais é muito interessante para melhorar o potencial de inovação da empresa e sua imagem como marca empregadora. Dessa forma, diversificar e incluir é um pilar importante da mudança social que a cura se propõe a fazer. Ah, e vale sempre ressaltar: essa preocupação também deve se estender para os cargos de liderança.

Esteja envolvido em causas sociais

O respeito e a priorização dos Direitos Humanos também importante para uma empresa que deseja curar. E, como vimos, esse tipo de mentalidade deve se estender para outros âmbitos e não apenas o interno da organização. Por isso, é fundamental que o negócio esteja envolvido em causas humanitárias, sempre buscando oportunidades de realizar ações e suprir carências da comunidade em que está inserida. Projetos que visam à inclusão social, à erradicação da fome e da miséria e ao combate a doenças endêmicas são alguns exemplos do que o negócio pode fazer. Durante a pandemia, algumas empresas alimentícias, por exemplo, realizaram grandes ações para combater a fome, doando toneladas de alimentos para aqueles que tiveram suas rendas impactadas pelo isolamento social.

Treine lideranças

As lideranças são peças importantes para implementar as ideias de uma empresa que cura. Isso porque esses profissionais têm grande peso na forma com que os colaboradores enxergam o trabalho, bem como na qualidade de vida no ambiente corporativo. Não à toa, de acordo com essa matéria publicada no G1, 8 em cada 10 profissionais que pedem demissão fazem isso por conta dos chefes. É importante treinar essas pessoas para que elas exerçam a competência da melhor maneira possível; sempre buscando oportunidades para gerar lucro ao mesmo tempo em que se envolvem em causas sociais.

Implemente um programa de saúde mental

O programa de saúde mental trata de um conjunto de iniciativas voltadas para a melhoria da qualidade de vida dos profissionais. Isso envolve a já citada gestão humanizada, o investimento na segurança psicológica, os canais abertos de comunicação, a conscientização da importância de uma saúde mental em dia, além de, evidentemente, as políticas de inclusão e colaboração na cultura organizacional. Logo, essa também é uma medida importante para a cura, sobretudo quando consideramos o pilar de não causar danos às pessoas.

Além disso, vale sempre mencionar: é importante monitorar os índices de satisfação, felicidade e saúde mental do Capital Humano, para continuar oferecendo experiências cada vez melhores para os colaboradores. Com um bom Mapeamento do Clima Comportamental, é possível entender mais sobre as considerações dos profissionais em relação à rotina laboral, incluindo o que a empresa pode fazer para deixar os profissionais mais engajados.

Para saber mais sobre o Mapeamento do Clima Comportamental, clique aqui.

Esteja integrado a uma comunidade

Estar integrada a uma comunidade prevê que a empresa assuma a responsabilidade com o local onde está inserida, incluindo pontos como cultura, educação e saúde, além da criação de novos empregos e redução dos impactos ambientais. Para fazer isso da melhor forma possível, é preciso desenvolver programas voltados para capacitação profissional para a população local, fazer doações para projetos e financiar iniciativas culturais, dentre outras possibilidades de atuação direta para o benefício da comunidade.

Pratique a economia colaborativa

A economia colaborativa é definida como um sistema social e econômico focado no compartilhamento de recursos. No âmbito corporativo, a premissa também está relacionada à ruptura com padrões tradicionais e a adoção de estruturas de organização que abram mão da posse e deem lugar às trocas e aos aluguéis, por exemplo. Dessa forma, é possível fazer uma utilização mais inteligente e eficaz de ativos e recursos. Além disso, o intuito principal é reduzir o consumo de recursos naturais e, portanto, mitigar os danos causados ao meio ambiente.

Pratique o voluntariado

O voluntariado empresarial prevê implementar um conjunto de ações pensando no engajamento de seus profissionais em iniciativas de apoio às comunidades. Esse tipo de prática é muito interessante não apenas para dar mais motivação e melhorar as competências comportamentais do Capital Humano, como também para trazer impactos positivos no âmbito externo. Alguns exemplos são mutirões de apoio, desenvolvimento de oficinas culturais, prestação de consultorias, dentre outras possibilidades. Isso é interessante não apenas para aprimorar as capacidades dos profissionais, mas também para trazer impactos positivos à comunidade.

 

Dicas para empresas que curam

No livro, Raj Sisodia e Michael Geld sugerem diversas formas de implementar a mentalidade de uma empresa que cura. Contudo, para isso, é importante mobilizar líderes, o departamento de RH e, também, os profissionais que integram o Capital Humano da empresa.  Para as lideranças, as ideias dos autores são ainda mais diretas e significativas. Elas incluem, por exemplo, criar uma cultura de pessoas que seja colaborativa e baseada na ajuda mútua. Cabe aos líderes adotarem esse valor organizacional e, em conjunto com o RH, promover diversas ações que reiterem a importância da colaboração interna. Isso é essencial para despertar um senso de altruísmo geral e criar um mindset corporativo em que todos se ajudam sem esperar nada em troca.

Outro fator citado pela dupla de autores é a necessidade de encorajar a criatividade e o potencial de inovação. Para tal, é preciso que os líderes criem dinâmicas corporativas baseadas na confiança, no apoio, na autonomia e na proatividade. Esse tipo de cuidado é fundamental para estimular o desenvolvimento, além de reduzir o sofrimento do Capital Humano. Nesse sentido, o RH também é importantíssimo na hora de colocar em prática as ações que reforcem esses valores.

Raj Sisodia e Michael Geld também mencionam a importância da segurança psicológica nesse cenário, uma vez que os profissionais precisam saber que podem experimentar e têm respaldo até mesmo para cometer erros. Criar dinâmicas menos flexíveis com as lideranças faz com que as equipes temam assumir riscos e que, por isso, percam a oportunidade de fazer um trabalho ainda mais assertivo. É preciso que os gestores deem esse apoio aos profissionais, caso queiram diminuir o sofrimento e fazer com que eles se sintam mais confortáveis.

Os autores também falam sobre a necessidade de deixar as pessoas ainda melhores do que quando entraram na empresa. Isso envolve ajudá-las a crescer mental e emocionalmente, para além do desenvolvimento profissional em si. O RH assume um papel especial quanto a esse fator, já que uma das principais atribuições do setor envolve o desenvolvimento. Contudo, é preciso pensar além para ser uma empresa que cura: é importante se comprometer com a formação de pessoas melhores, não apenas profissionais com níveis mais altos de prontidão.

Apesar disso, vale reiterar: não é possível se transformar em uma empresa que cura sem que os líderes sejam treinados para se tornar profissionais que curam. Pensando nisso, os autores fizeram algumas recomendações específicas para esses colaboradores a partir de diversas entrevistas com gestores de empresas que têm essa conduta.

Além das que já foram mencionadas ao longo deste artigo, destacamos:

Manter a humildade

Assumir uma postura de liderança humilde é fundamental para se transformar em um profissional que cura. Isso significa estar aberto às ponderações dos liderados, por mais inocentes e bobas que elas possam parecer. Além disso, manter a humildade é assumir que, enquanto líder, nenhum profissional tem todas as respostas – e que ele também precisa se esforçar para encontrá-las. Esse tipo de perspectiva é importante, inclusive, para que o autodesenvolvimento também seja algo que esteja sempre em vista. Líderes que curam buscam a humildade, a curiosidade e oferecem acolhimento para os profissionais que gerem. Ah, e isso tudo sem esquecer do pilar mais importante da cura: não causar dano.

Ressignificar o próprio sofrimento

É comum que colaboradores tenham histórias a respeito do sofrimento que presenciaram em empresas – e isso também acontece com os líderes. No entanto, para se tornar um profissional da cura, é preciso que eles se libertem de amarras passadas e consigam trazer novos significados às dores. Isso inclui, evidentemente, um processo extenso de autoconhecimento, em que os gestores possam entender mais sobre os próprios limites, traumas e crenças limitantes. Estar ciente dos próprios processos é fundamental para que um líder não cause sofrimento nos liderados e reproduza, por exemplo, comportamentos nocivos que ele aprendeu em outros contextos.

Ser um exemplo

O líder deve sempre ser o exemplo da cultura organizacional de uma empresa – e isso fica ainda mais importante no caso de organizações que curam. De nada adianta adotar os valores que citamos se, na prática, a gestão inflige sofrimento nos colaboradores, não se preocupa com a influência nas comunidades e tampouco no meio ambiente. Por isso, a figura do líder deve concentrar todos esses princípios. Ele deve ser um profissional ético, empático, estratégico e com um olhar sempre voltado para as oportunidades não só de obter lucro, como também de mudar a realidade de outras pessoas. É como o próprio Raj Sisodia disse em entrevista: o líder que cura se preocupa com “ganhar dinheiro com uma oportunidade, pensar em iniciativas sociais e investir na caridade”.

Inspirar os liderados

A liderança também envolve inspirar as pessoas e fazer com que elas sintam vontade de fazer algo. Um bom líder, inclusive, é aquele que consegue despertar esse sentimento e direcionar o profissional para que ele aja em prol dos resultados desejados pela empresa. Não à toa, essa competência demanda uma série de soft skills complexas, como empatia, inteligência emocional e interpessoal, autoconhecimento e, sobretudo, uma alta capacidade comunicativa. Além disso, uma das principais dicas de Raj Sisodia é contar histórias. Segundo o autor, as narrativas são importantes para criar conexões entre pessoas e ideias, transmitindo a cultura, as histórias e os valores que unem.

Pensar no futuro

Como vimos, as empresas que curam não entendem o sucesso corporativo como uma questão exclusivamente financeira. Da mesma forma, um líder que cura também deve ter uma preocupação a mais: os impactos multigeracionais das decisões que toma enquanto gestor de determinada empresa. Afinal, esses profissionais devem entender que, tão importante quanto a chegada, é o caminho percorrido pelo negócio – bem como tudo que ele afeta.

Líderes que curam querem que os profissionais e suas famílias sejam felizes e, por isso, não devem sobrecarregar os liderados a ponto de fazê-los se sentirem explorados. Da mesma forma, esses profissionais não querem acabar com recursos naturais nem causar danos às comunidades locais. Tudo isso é levado em conta o tempo inteiro durante a liderança. E o resultado, nesse caso, é uma gestão tão preocupada com o futuro quanto com o presente.

Funcionar com amor

Embora os profissionais entrevistados no livro de Raj Sisodia e Michael Geld sejam de diversas religiões, eles têm um ponto em comum: entender o amor, não o medo, como o centro da liderança. De acordo com o livro, esse é o caminho para trazer a sustentabilidade à empresa e a si mesmos.

As empresas que curam propõem uma verdadeira revolução na maneira de pensar e processar o sucesso corporativo. Indo muito além dos lucros como métrica, essas são organizações que adotam uma postura de capitalismo mais consciente e que pensam, o tempo inteiro, em minimizar os danos que causam aos profissionais, comunidades e meio-ambiente. Isso tudo, evidentemente, sem abrir mão do seu potencial de lucratividade e rentabilidade. Essa é mais uma prova de que investir no foco em pessoas, modelos humanizados e responsabilidade social é o caminho para um mundo onde pessoas e empresas têm resultados extraordinários.

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Fernanda Misailidis

Fernanda Misailidis é jornalista e atua como Assessora de imprensa e Embaixadora da ETALENT. Carioca, é apaixonada por artes, ama estar nos palcos e não vive sem teatro.

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