As power skills representam com clareza as diversas mudanças pelas quais a gestão de pessoas passou nas últimas décadas. Se antes, questões relacionadas à movimentação de pessoas estavam exclusivamente atreladas às competências técnicas, hoje em dia, entende-se que esse não é o único ponto que deve ser considerado. Nos principais players de mercado, outro fator também entra nessa conta é a identificação do perfil comportamental de cada colaborador e dos seus talentos.

Por décadas, as organizações basearam suas contratações em currículos extensos, cheio de experiências, recomendações e formações – o que fez com que muitos profissionais projetassem o sucesso em formações acadêmicas, diplomas, cursos, especializações e outros meios voltados para o aprendizado formal e o conhecimento técnico.

Contudo, atualmente, sabe-se que, isoladamente, isso não é garantia de nada. Também é preciso investir em skills mais subjetivas, como empatia, proatividade, inteligência emocional, dentre outras que impactam a produtividade do negócio e a saúde mental dos colaboradores.

Mas é possível ir além das soft skills e das hard skills. Afinal, alguns profissionais conseguem melhorar sua performance por conta da combinação que fazem dos conhecimentos com os comportamentos – são o que chamamos de power skills, assunto do artigo de hoje. Boa leitura!

 

O que são as power skills?

Também conhecidas como “habilidades poderosas” (em tradução direta para o português), as power skills representam a combinação entre competências técnicas (hard skills) e comportamentais (soft skills) que potencializam a performance de um profissional. Ou seja, essas habilidades misturam elementos específicos de ambos os campos. É uma power skill, por exemplo, ter uma visão sistêmica dos setores – afinal, colaboradores com esse atributo conseguem fazer análises de dados e propor soluções a partir do que é verificado. Isso envolve a técnica de lidar com softwares, dados, conhecimentos a respeito do setor e criatividade.

No mercado atual, essas habilidades vêm sendo cada vez mais valorizadas. Não à toa, a pesquisa Future of Jobs (2023), realizada pelo World Economic Forum e que analisa as principais tendências para o futuro do trabalho, indicou algumas das power skills como as habilidades mais valorizadas para os próximos anos. Comunicação assertiva, pensamento analítico e capacidade de liderança são alguns exemplos das competências listadas no estudo.

Tendências como essa simbolizam uma ruptura com os conceitos semeados décadas atrás, quando as empresas acreditavam que o que realmente pautava o sucesso de um profissional no trabalho eram somente as habilidades técnicas que ele desenvolvia. Contudo, desde que movimentos como o RH 5.0 ganharam notoriedade, as empresas debatem sobre modelos de gestão de pessoas mais saudáveis, humanizados e em que os colaboradores assumam lugar central nos processos da empresa. E as habilidades comportamentais são fundamentais para que isso seja possível – afinal, elas impactam diretamente o tipo de dinâmica que é construída no ambiente de trabalho e, consequentemente, na saúde mental dos profissionais da empresa.

Esse esforço não acontece à toa: ter colaboradores saudáveis e felizes também impulsiona a lucratividade e a rentabilidade do negócio. Com o tempo, as organizações entenderam que a melhor forma de aumentar a produtividade do Capital Humano está longe de ser levando-os à exaustão. Pelo contrário: o investimento na felicidade é a melhor forma de fazer isso. Afinal, pessoas felizes, satisfeitas e que exercem funções adequadas ao próprio talento conseguem trabalhar por mais, melhor e se desgastam menos com isso.

 

Diferenças entre soft, hard, mad e power skills

A palavra skill (“habilidade”, em inglês) vem sendo incorporada no mercado brasileiro para tratar de uma série de competências de naturezas distintas por parte dos colaboradores. Algumas delas, inclusive, já mencionamos neste artigo, como as famosas soft e hard skills. Contudo, além das power skills, também há as mad skills – e todos esses conceitos trazem diferenças entre si.

Primeiro, falaremos da dupla mais mencionada nas empresas: hard e soft skills. Embora os termos pareçam semelhantes, principalmente quando desconsideramos a tradução, a maior similaridade entre eles é o fato de se referirem a tipos de habilidades. Enquanto as soft skills equivalem às habilidades comportamentais, as hard skills são as competências técnicas.

As habilidades técnicas estão relacionadas aos conhecimentos de um profissional e podem, inclusive, ser medidas no dia a dia. Elas são fundamentais para que seja possível realizar determinada atividade. Um editor de vídeos, por exemplo, precisa conhecer a ferramenta que utiliza para fazer o trabalho, bem como técnicas de comunicação visual que serão usadas no produto que está desenvolvendo. Um vídeo focado em descontração e comédia, por exemplo, utiliza recursos distintos de um voltado para o drama. Esse tipo de conhecimento é adquirido com formações acadêmicas, cursos técnicos, e qualificações.

Já as habilidades comportamentais dizem respeito ao comportamento e às atitudes de uma pessoa. Por isso, elas são mais subjetivas e não podem ser comprovadas com certificados ou diplomas – elas aparecem mesmo no convívio diário. No caso do editor de vídeo, esse tipo de competência iria, por exemplo, definir a forma como ele lida com os clientes, o quão criativo consegue ser e se é capaz ou não de gerir o próprio tempo. Esses fatores não podem ser metrificados, mas afetam diretamente sua rotina de trabalho e a do seu setor.

Há também as mad skills (ou “habilidades incríveis”, em tradução direta), que correspondem a uma série de habilidades e experiências pessoais que, de alguma forma, contribuem para alavancar a carreira de um profissional – ainda que indiretamente. Essas competências são aprendidas por meio de hobbies, atividades extracurriculares, interesses pessoais específicos, dentre outras possibilidades que não estejam, necessariamente, atreladas ao ambiente corporativo. Se o editor de vídeo gosta de artes audiovisuais, por exemplo (o que não é incomum para quem segue essa carreira), é provável que ele tenha mais referências para ser criativo, ter foco e observação. Vale explicar que, em certos momentos, mad skills e soft skills acabam se entrelaçando também.

Por fim, as power skills funcionam como uma junção de soft e hard skills capazes de potencializar o desenvolvimento e a atuação de um profissional. Vale ressaltar que, para algumas pessoas, o termo pode ser usado, inclusive, como um sinônimo de habilidades comportamentais. É o que propõe a coach e redatora Raquel Wells, da Forbes, nesta matéria.

 

Tipos de power skills

Para alguns autores, as power skills podem ser divididas em dois grandes grupos: as de energia e as de poder. As power skills de energia estão associadas ao movimento, à ação propriamente dita. Já as power skills de poder estão centradas no empoderamento do profissional, levando em conta, sobretudo, a forma com que ele toma decisões e se orienta nesses processos.

Veja, a seguir, alguns exemplos práticos:

Energia: resolução de problemas

Saber como solucionar problemas é algo altamente valorizado dentro de uma empresa – e essa é uma habilidade tipicamente classificada como power skill. Isso porque envolve dois aspectos principais: conhecimento técnico para identificar o problema e saber como resolvê-lo; e, depois, autonomia para colocar a solução em prática.

Energia: proatividade

A proatividade é uma competência comportamental diretamente associada à iniciativa e, por consequência, à capacidade de se antecipar aos problemas e desafios diários. Por isso, essa também é uma característica buscada amplamente em processos seletivos e que funciona sob a mesma lógica da resolução de problemas enquanto power skill. Ser proativo requer conhecimento técnico da área de atuação para assumir responsabilidades e iniciativa para fazer isso.

Energia: foco em qualidade

Alguns profissionais orientam a sua produção pensando na qualidade das entregas – ainda que demorem mais tempo do os demais. Essa, inclusive, é uma característica marcante de quem tem a Conformidade como fator preponderante no seu perfil comportamental, segundo a Metodologia DISC. Para desenvolver essa habilidade, é necessário ter o conhecimento técnico da área, além de conseguir fazer análises, comparações e conclusões para entregar mais do que foi solicitado. Logo, são necessárias soft e hard skills para tal.

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Poder: visão sistêmica

A visão sistêmica é uma habilidade que diz respeito à capacidade de enxergar o todo – e não apenas pontos específicos ligados à atuação do indivíduo. Logo, profissionais que conseguem exercer essa competência percebem mais do que é mostrado e constroem uma perspectiva ampla em relação aos processos da organização. Mas, para isso, é preciso ter conhecimento técnico, além de habilidades como observação, foco, capacidade analítica e proatividade.

Poder: comunicação assertiva

A comunicação assertiva trata da habilidade de se comunicar com clareza e eficiência, abordando todas as informações necessárias para a compreensão do interlocutor. Quem consegue fazer isso transparece confiança e segurança para os colegas, além de ter objetividade para lidar com cada questão. Uma comunicação assertiva exige empatia, inteligência emocional, além do conhecimento específico sobre a área de atuação, para conseguir discorrer sobre as questões que a envolvem.

Poder: colaboração

A capacidade de trabalhar em equipe também pode ser considerada uma power skill, uma vez que engloba muito mais do que simplesmente ter uma boa relação com os colegas. Saber como conduzir o trabalho em equipe requer inteligência emocional, empatia, boa comunicação, mas também profundo conhecimento dos processos que envolvem a área de atuação, para conseguir orientar e ajudar os colegas.

 

Importância das power skills

As power skills são muito importantes no contexto corporativo. Afinal, ter um Capital Humano com essas habilidades impacta diretamente pontos como produtividade, criatividade e capacidade de inovação. Para os profissionais, o desenvolvimento dessas competências é igualmente vantajoso, uma vez que melhora a empregabilidade de cada um.

Alguns motivos pelos quais as power skills são importantes:

Para empresas

Nas organizações, as power skills são especialmente relevantes quando o assunto são as lideranças. Afinal, para exercê-la da melhor forma possível, é preciso não apenas ter o domínio técnico, como também aprimorar uma série de competências comportamentais que ajudam a desenvolver os liderados.

Até por isso, a liderança em si também é considerada uma power skill. Contudo, habilidades complementares como criatividade, proatividade e colaboração são valiosas para ajudar o líder a crescer em seu papel, se tornando cada vez mais estratégico e humano.

Além disso, habilidades focadas em aspectos interpessoais, como a comunicação assertiva, também são importantes para manter relacionamentos saudáveis e o clima organizacional positivo. A resolução de conflitos, por exemplo, ajuda a manter os colaboradores mais próximos, além de ajudar a manter a harmonia no ambiente de trabalho. O pensamento criativo, por outro lado, ajuda a manter a empresa inovadora, sempre buscando novas soluções para se destacar no cenário competitivo. Por isso, empresas que valorizam esse tipo de abordagem estão mais propensas a se tornar uma organização exponencial.

Quando os colaboradores conseguem tomar decisões mais assertivas e analíticas, a empresa também sai ganhando. Afinal, a tomada de decisão eficaz permite avaliar informações, considerar riscos e benefícios, sempre pensando no que vale a pena para a organização. Isso reduz a chance de cometer erros – e o de ter prejuízos com eles.

Para profissionais

Quanto aos profissionais, o desenvolvimento das power skills também traz uma série de vantagens e benefícios. O primeiro ponto a destacar é que, com elas, fica mais fácil construir relações interpessoais com os colegas e criar um ambiente de trabalho mais saudável para todos. E isso se torna ainda mais importante quando reiteramos que este é um dos fatores que mais contribuem para a qualidade de vida no trabalho. é o que indica esta pesquisa da revista Work & Stress, que alega que condições hostis estão diretamente relacionadas ao aumento da depressão, uso de substâncias ilícitas e problemas generalizados de saúde.

Em termos de crescimento pessoal e profissional, as power skills também são fundamentais. Afinal, elas são visadas tanto em processos de Recrutamento e Seleção quanto na jornada de desenvolvimento profissional. Aprimorando autoconfiança e autocontrole, por exemplo, é possível se tornar um profissional mais criativo, estratégico e que pode atuar mediante as mudanças que o mercado impõe. Por isso, as power skills também são importantes para manter a empregabilidade alta.

Profissionais que desenvolvem as power skills conseguem tomar decisões mais acertadas, além de terem mais facilidade para gerenciar conflitos e colaborar com os colegas. Logo, essas habilidades ajudam a fazer parte de equipes que trabalham com sinergia e harmonia. Também vale ressaltar que lidar com mudanças e imprevistos fica mais fácil quando os profissionais desenvolvem competências como adaptabilidade e antifragilidade.

Por fim, essas competências também impactam na gestão de tempo e de prioridades, o que é fundamental para manter uma rotina efetiva de administração de demandas e prazos. Colaboradores que conseguem se autogerir são mais produtivos e ajudam equipes inteiras a darem conta das suas responsabilidades.

 

Quais são as power skills mais procuradas?

Resolução de problemas

A resolução de problemas nas organizações é uma competência que engloba encontrar soluções, a partir da criatividade e da análise, para obstáculos identificados na rotina de trabalho. Quem desenvolve essa habilidade consegue identificar problemas e se engajar em uma rotina criativa para resolvê-los com proatividade e autonomia. Isso requer o pensamento crítico, capacidade de análise, autogestão, além de profundo conhecimento da área.

Comunicação assertiva

No ambiente de trabalho, é extremamente importante se fazer entender, sendo coerente e não deixando espaço para dúvidas ou desentendimentos. Além disso, esse tipo de abordagem leva em conta a empatia, as relações e identificando o que for necessário para se adequar a quem recebe a mensagem. Por isso, se comunicar de forma assertiva nada tem a ver com demonstrar inteligência, bagagem cultural, dominar outros idiomas ou “falar bonito” – na verdade, a assertividade pode, inclusive, significar tornar a comunicação o mais simples possível – a depender do contexto – para conseguir passar a mensagem adequadamente.

Pensamento crítico

O pensamento crítico trata da habilidade de reunir e analisar informações antes de chegar a uma conclusão. Logo, essa competência envolve pontos como bagagem intelectual, clareza, precisão e profundidade na hora de estabelecer uma linha de raciocínio. O resultado é que, para fundamentar um pensamento, o indivíduo com pensamento crítico observa uma situação e faz um julgamento interno baseado em histórico, referências de mercado e argumentos. Logo, essas pessoas analisam criticamente cada situação, buscando entender por que ela está acontecendo, se deveria estar acontecendo e formando uma opinião sobre o acontecimento. Esse tipo de habilidade é útil tanto para questões de natureza pessoal quanto para avaliações a respeito da própria atuação.

Criatividade

A criatividade é uma habilidade que diz respeito à capacidade de imaginar, inventar, criar ou produzir. Profissionais criativos conseguem encontrar soluções inovadoras com mais facilidade, uma vez que dão mais abertura para a experimentação, além do processo de “tentativa e erro”. Ser criativo no trabalho requer conhecer bem os processos que envolvem o setor – afinal, esse é o primeiro passo para pensar em soluções inovadoras e capazes de redefinir a forma com que a empresa atua.

Autogestão

A autogestão diz respeito à capacidade de um profissional de gerir a si mesmo. Nesse sentido, a pessoa é responsável por definir a própria rotina, garantindo que suas responsabilidades sejam cumpridas. No caso de um profissional de uma empresa, por exemplo, isso significa que, apesar de gerir a si mesmo, ele vai entregar as tarefas no tempo combinado e com a qualidade esperada. Por isso, essa é uma habilidade que também une fatores como gestão de tempo, proatividade, autonomia, além do conhecimento técnico da área – mesmo que, por definição, a autogestão não se limite em nenhum deles.

Liderança

A liderança consiste na habilidade de manejar, orientar e influenciar pessoas em prol de um objetivo específico. Em um contexto corporativo, essa competência ganha um significado a mais: refere-se também à capacidade de conduzir os colegas em direção às metas da empresa utilizando as estratégias e diretrizes definidas por ela. Exercer liderança nas empresas envolve pontos como gerenciar pessoas, prazos e tarefas, fazer uma gestão de conflitos eficiente para garantir um clima organizacional positivo, engajar e motivar as equipes, ser ativo na tomada de decisão. Logo, essa habilidade envolve tanto aspectos de ordem técnica, uma vez que os líderes precisam conhecer os processos que gerenciam, quanto comportamentais, já que lidam com pessoas o tempo inteiro.

 

Como o RH encontra talentos com power skills?

Construir um Capital Humano repleto de profissionais com as power skills desejadas começa antes mesmo que eles ingressem na empresa. Isso porque a única forma de garantir que essas pessoas estejam presentes na organização é organizando processos seletivos assertivos e que levem em conta os aspectos comportamentais dos colaboradores. E é nesse ponto que a atuação do RH para a identificação de power skills é de suma importância.

Antes mesmo de começar as entrevistas, o RH, em conjunto com os gestores, deve planejar a vaga – ou seja, identificar quais são as competências técnicas e comportamentais necessárias em um profissional para que ele seja capaz de exercer a função com satisfação e qualidade, sem se desgastar. Nessa fase, é preciso elaborar uma definição precisa de cargo, sempre levando em conta as demandas da função e a atuação esperada para aquele profissional. Esse processo possibilita identificar as power skills necessárias para cada função – e a partir daí, é preciso se concentrar em encontrar candidatos que as apresentem.

Mas o esforço não termina por aí. Uma vez desenhado o cargo e divulgada a vaga, é fundamental selecionar candidatos adequados, em termos de comportamento, para realizar o processo seletivo. Para isso, deve-se utilizar análises de perfil comportamental detalhadas, como as geradas pelo Etalent Pro, para entender mais sobre as características naturais daquele colaborador. Como é mais difícil mudar o comportamento de uma pessoa do que ensinar novos conhecimentos a ela, nesse caso, é importante conduzir a seleção identificando os candidatos com maior nível de adequação comportamental com o cargo. Afinal, treinamentos podem sempre ser aplicados durante a jornada do colaborador na organização.

Quando chega a fase das entrevistas, é importante que o profissional responsável por realizá-las consiga fazer perguntas que avaliem o comportamento e as power skills desejadas. Isso engloba perguntar como os candidatos tomam decisões e tentar entender a forma com que eles agem (ou agiram) em situações específicas. Isso ajuda a avaliar se o profissional está, de fato, adequado à vaga para qual se candidatou, bem como as power skills que ele detém. Dessa forma, fica mais fácil identificar quais os profissionais têm maior probabilidade de exercer a função seguindo o que a empresa espera dele.

 

6 dicas para desenvolver power skills

O desenvolvimento das power skills não é um processo que acontece do dia para a noite – é preciso esforço e continuidade para aprimorar essas habilidades. É importante frisar que existem formas distintas de realizar esse processo. Dentre elas, destacamos:

Palestras e workshops

Treinamentos, workshops, palestras, cursos, dentre outras ferramentas comumente voltadas para o desenvolvimento das habilidades técnicas podem ser muito efetivos quando aplicados às power skills. O importante, no entanto, é ter certeza de que o que está sendo ensinado tenha relação com as habilidades que a empresa deseja que seus colaboradores desenvolvam. Também é possível investir, de forma separada, em hard e soft skills, para que o profissional faça a conexão entre os dois pontos.

Programas de mentoria e aconselhamento profissional

Os programas de mentoria e de aconselhamento profissional são excelentes ferramentas para oferecer apoio e orientação. Isso por conta de um motivo simples: com o apadrinhamento de um colaborador mais experiente, fica mais fácil entender quais são as áreas que o profissional mais jovem precisa desenvolver e incluir isso em um plano de ação para aprimorar as power skills. Além disso, os mais experientes podem compartilhar suas vivências e expertise, além de dar feedbacks para ajudar o mentorado a se desenvolver.

Experiência prática

A melhor forma de desenvolver power skills é colocá-las em prática. Por isso, profissionais que desejam aprimorar essas habilidades devem estar sempre em busca de novos desafios e situações em que possam utilizá-las – ou mesmo testá-las. Quem deseja melhorar a comunicação, por exemplo, pode fazer isso participando de apresentações e buscando falar em público sempre que possível. Já para quem precisa exercitar o pensamento analítico, fazer parte de um projeto que requer resolução de problemas complexos é uma boa alternativa.

Feedback contínuo

Para aprimorar as power skills, também é preciso ter feedbacks das lideranças. Isso porque, por meio dessas orientações, os profissionais ficam a par dos pontos que precisam de melhorias e dos que já estão executando bem. Esse tipo de monitoramento constante também permite fazer ajustes, caso o colaborador não corresponda às expectativas. Esse tipo de cuidado também é importante para criar planos de ação voltados para o desenvolvimento.

Lifelong learning

O lifelong learning se refere à busca contínua por conhecimento, aperfeiçoamento e desenvolvimento, seja na esfera pessoal, acadêmica ou profissional. Por isso, essa é uma característica indispensável para quem almeja desenvolver as power skills. Sob essa perspectiva, nunca é tarde para aprender algo novo – e esse conhecimento pode ser adquirido tanto de maneira formal quanto informal. Para quem adota essa mentalidade, a ideia de educação contínua está relacionada a fatores como automotivação, curiosidade, proatividade e autonomia, não somente a cursos e graduações.

Autoconhecimento

Por fim, o autoconhecimento pode ser considerado o primeiro passo para desenvolver power skills. Oriundo da psicologia, o termo corresponde a uma série de processos de desenvolvimento psíquico, amadurecimento emocional, afetivo, cognitivo e comportamental, que permite que um indivíduo conheça profundamente a si mesmo. Por isso, essa habilidade comportamental afeta diretamente as outras, sobretudo no que tange às relações humanas. Além disso, quem se conhece profundamente sabe o que o faz se sentir bem e o que não faz – e, também, o que precisa desenvolver.

Apesar da sua complexidade, é possível trabalhar o autoconhecimento por meio de ferramentas específicas. Uma delas é o Personal Change, um programa imersivo focado no autodesenvolvimento, fundamental para o desenvolvimento de power skills alinhadas aos objetivos individuais e do negócio.

 

O papel do RH no desenvolvimento das power skills

Aprimorar as power skills não deve depender exclusivamente da vontade do colaborador – o ideal é que a empresa onde ele trabalha também esteja comprometida com esse processo e ofereça oportunidades para tal. Nesse sentido, é função do RH (e também das lideranças) adotar medidas que auxiliem o Capital Humano no aperfeiçoamento e no fortalecimento dessas competências.

Como vimos, as power skills podem ser trabalhadas de forma compartimentada, ou seja, com investimentos em habilidades técnicas e comportamentais feitos de forma separada. Para melhorar as hard skills dos profissionais em suas áreas de atuação, os treinamentos corporativos são ideais. Nesse sentido, programas de capacitação, palestras, workshops e financiamento de cursos e especializações em conjunto com instituições de ensino, por exemplo, são formas eficazes de aumentar os níveis de prontidão do Capital Humano. Utilizar elementos lúdicos, como a gamificação, para motivar os participantes também é uma boa estratégia para alavancar o desenvolvimento.

Já as habilidades comportamentais estão atreladas a um processo contínuo de aprimoramento profissional. Para desenvolvê-las, podem ser necessários programas de acompanhamento individual, a fim de identificar as características que precisam de atenção e ajudar os colaboradores a aprimorarem-nas. Palestras e workshops também são bem-vindos aqui – mas, nesse caso, com outro foco.

Vale sempre lembrar a importância de oferecer planos de carreira e de desenvolvimento (PDI) para os profissionais. Dessa forma, o RH consegue orientar e investir no aprimoramento das competências necessárias para que o colaborador esteja preparado para assumir novas funções em um momento futuro. Fazer o uso de ambos os recursos também permite um controle mais amplo em relação às competências, visto que cada um deles foca em aspectos distintos da atuação profissional.

Mesmo com as mudanças de paradigma no cenário atual, ainda é comum que as soft skills sejam subestimadas quando postas lado a lado das hard skills. No artigo de hoje, vimos como isso é um grande equívoco, já que as principais competências visadas no cenário competitivo representam o equilíbrio entre hard e soft skills. Por isso, reiteramos: o comportamento é essencial para construir carreiras sólidas e que tragam felicidade, realização e bem-estar. Investir no desenvolvimento de soft e hard skills é a chave para trilhar um caminho bem-sucedido e saudável para profissionais e organizações.

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Fernanda Misailidis

Fernanda Misailidis é jornalista e atua como Assessora de imprensa e Embaixadora da ETALENT. Carioca, é apaixonada por artes, ama estar nos palcos e não vive sem teatro.

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